110 quilómetros para fazer exame ao coração

Utente da unidade de Torres Vedras do Centro Hospitalar do Oeste obrigada a fazer 110 quilómetros para fazer exame ao coração pelo SNS

Hospital
Autor: Adília Vieira | 14 de Janeiro de 2022

Uma utente da unidade de Torres Vedras do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), no distrito de Lisboa, reclamou por ter percorrido hoje 110 quilómetros até Leiria para realizar uma cintigrafia miocárdica pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Como é possível a marcação de um exame médico a uma distância de 110 quilómetros (Leiria), quando anteriormente esse mesmo exame, marcado de igual modo pelo hospital, ficava a uma distância de 44 quilómetros (Lisboa)”, questionou à agência Lusa Ana Teodoro, filha da utente de 76 anos, com 86% de incapacidade e residente na Aboboreira, no concelho de Mafra.

Numa reclamação enviada ao CHO, cuja receção foi confirmada pela instituição e a que a Lusa teve acesso, as duas cidadãs mostram a sua “indignação” pela distância a que foram sujeitas para fazer o exame ao coração prescrito pelo cardiologista.

Questionado pela Lusa, o CHO esclareceu que, como não tem capacidade para realizar o exame e não existe referenciação para exames de medicina nuclear no SNS, tem de pedir aos privados o exame, mediante concurso público lançado.

Entre os critérios de adjudicação, está o custo mais baixo não só do exame, como também do valor dos quilómetros percorridos entre as unidades hospitalares do CHO e o local do exame.

A empresa vencedora, Diaton, que trabalha no Hospital de Leiria, foi o “candidato mais bem pontuado” pelo preço inferior apresentado” para o exame e por ter “conseguido compensar a diferença do valor dos quilómetros face aos restantes candidatos (mais próximos, mas mais caros)”, justificou a instituição hospitalar.

Na reclamação, a utente questionou sobre a existência de meios de transporte e sobre os gastos que os doentes têm de “desembolsar para se deslocar 110 quilómetros”.

O CHO respondeu que, “no caso dos utentes com critérios de insuficiência económica e clínica, nos termos legais, o CHO assegura os encargos com o transporte desses utentes para a realização do exame”.

Contudo, Ana Teodoro alegou que telefonou diversas vezes para o CHO a pedir uma guia de transporte, mas não conseguiu respostas à distância.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais de Torres Vedras, Caldas da Rainha e de Peniche e detém uma área de influência constituída pelas populações daqueles três concelhos, Óbidos, Bombarral, Cadaval e Lourinhã, e de parte dos concelhos de Alcobaça (freguesias de Alfeizerão, Benedita e São Martinho do Porto) e de Mafra (com exceção das freguesias de Malveira, Milharado, Santo Estêvão das Galés e Venda do Pinheiro).

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