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A bosta de bófia por Mamadou Ba

Publicado por Vítor Santos em 23 de Janeiro de 2019 | 0:06

Incidentes no bairro da Jamaica. Mamadou Ba, ativista e assessor do Bloco de Esquerda, explicou ao SAPO 24 o que quis dizer com “bosta da bófia”

Mamadou Ba - Bloco de Esquerda

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Mamadou Ba, ativista e assessor do Bloco de Esquerda, explicou ao SAPO 24 o que quis dizer com “bosta da bófia”. A expressão, que originou polémica, surgiu numa publicação sua em reação aos incidentes no passado domingo no bairro da Jamaica, concelho do Seixal.

“Tentaram colocar as minhas intervenções em grandes parangonas [manchetes]. Se eu substituir a palavra [bosta] por outra palavra, como “horror”, e se eu dissesse o “horror da bófia”, não me parece que isso tivesse merecido nenhuma parangona de nenhum órgão de imprensa”. É esta a resposta que o dirigente do SOS Racismo e assessor do Bloco de Esquerda, Mamadou Ba, deu ao SAPO24 quando questionado sobre os termos que usou numa publicação na sua página de Facebook, onde entre outras coisas se lia a expressão “bosta da bófia” e que deu origem a algumas notícias.

A publicação em causa surgiu na sequência dos incidentes no bairro da Jamaica, no Seixal, neste domingo, envolvendo alguns moradores e a PSP.

Quanto aos títulos da imprensa nacional que refletem as suas afirmações, o dirigente do SOS Racismo, diz que são “notícias plantadas” para “evitar que se fale na verdade o que aconteceu”. E o que aconteceu, no bairro da Jamaica, diz, “foi um uso abusivo e desproporcional da força [policial]; injustificada e inaceitável num Estado de Direito”.

Sobre a possibilidade do comentário ter sido mal interpretado, Mamadou Ba diz não “ser possível”. “No mesmo dia em que escrevi esse post, estive na SIC Notícias e a intervenção é pública. Estive no jornal das 15h00. A minha intervenção sobre a PSP é límpida, desse ponto de vista”, diz. “Bem sei que não sou lusofalante originário, mas eu tirei Língua e Cultura Portuguesa. Confundir um adjetivo com um substantivo não ajuda a clarificar o debate. Uma coisa é tratar a polícia de bosta, outra coisa é dizer que a sua atuação é uma bosta. São coisas distintas, só não percebe quem não quer. E a sua atuação naquela circunstância foi uma bosta”, justifica.

Relativamente à abertura de uma investigação por parte do Ministério Público, aos incidentes ocorridos no domingo entre moradores e elementos da PSP, no bairro social da Jamaica, Mamadou Ba reage com satisfação. “Era essa a nossa expectativa, a de que o Ministério Público fizesse o seu trabalho”, diz. Agora, “temos de aguardar que o processo siga os seus trâmites e no fim falar”. Recorde-se que o SOS Racismo anunciou esta segunda-feira que iria apresentar queixa.

Já sobre os confrontos entre manifestantes e polícia, registados ao final da tarde desta segunda-feira, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, o dirigente diz que o SOS Racismo não recebeu “relatos completos” do que aconteceu. “O que sabemos é que o que tem vindo a ser relatado nas redes sociais e pela imprensa. Não temos factos oculares que nos permitam pronunciar sobre eles”, explica.

No entanto, Mamadou Ba vê com “preocupação” as notícias desta madrugada. Em Odivelas, na Póvoa de Santo Adrião e em Santo António dos Cavaleiros, segundo a PSP, diversas viaturas foram incendiadas e 11 caixotes do lixo destruídos com recurso a ‘cocktails molotov’. “Espero bem que sejam apenas pontuais” diz. “O que me parece importante neste momento é perceber o que esteve na origem desses desacatos e atuar [o Estado] dentro daquilo que são os procedimentos previstos na lei”, conclui.


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