Cabrita descarta responsabilidade acidente na A6

Cabrita descarta responsabilidade em acidente que atropelou mortalmente um trabalhador na A6. “Eu era apenas passageiro”, disse o ministro

Eduardo Cabrita
Autor: Vítor Santos | 3 de Dezembro de 2021

As primeiras conclusões ao acidente que envolveu o automóvel do MAI, onde seguia Eduardo Cabrita, chegaram quase meio ano depois: o carro seguia a 166 km/h e, por isso, o MP acusou o motorista de homicídio por negligência. O advogado da família de Nuno Santos pondera insistir na tese da culpabilidade do ministro.

O ministro da Administração Interna disse hoje que era “passageiro” quando o carro em que seguia provocou um acidente mortal na A6, sublinhando que “o esclarecimento dos factos tem de ser feito” sem cair num “repugnante aproveitamento político de uma tragédia pessoal”.

“Eu sou passageiro. É o estado de direito a funcionar. Temos de confiar no estado de direito, ninguém está acima da lei”, disse a jornalistas Eduardo Cabrita, ao ser questionado sobre o despacho de acusação do Ministério Público visando o motorista do automóvel em que seguia o ministro.

Eduardo Cabrita sustentou que “o esclarecimento dos factos tem de ser feito” sem se recorrer a um “repugnante aproveitamento político de uma tragédia pessoal”.

O motorista do carro onde seguia o ministro da Administração Interna e que atropelou mortalmente um trabalhador na A6 foi acusado de homicídio por negligência, segundo despacho de acusação do Ministério Público hoje divulgado.

Cumplicidade de Eduardo Cabrita no acidente

Advogado da família de Nuno Santos, o trabalhador atropelado mortalmente, na A6, no passado dia 18 de junho, pelo carro do Ministério da Administração Interna (MAI), admitiu à VISÃO que, neste momento, ainda “está a avaliar” se vai avançar para um pedido de abertura de instrução neste processo, com o objetivo de averiguar a “cumplicidade” do ministro Eduardo Cabrita nos acontecimentos. José Joaquim Barros reforça, assim, a posição já assumida em setembro, quando apontava Eduardo Cabrita como “responsável” pelo acidente, na qualidade de chefe da comitiva.

Em nota publicada no seu site, o Ministério Público (MP) anunciou, ao final desta manhã, que, no âmbito do inquérito conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, o motorista do automóvel – um BMW série 7 de 2011 – foi acusado de um crime de homicídio por negligência (e ainda de duas contraordenações), uma vez que o carro seguia “em violação das regras de velocidade e circulação previstas no Código da Estrada e com inobservância das precauções exigidas pela prudência e cuidados impostos por aquelas regras de condução”– confirmado depois de se saber que o veículo circulava a 166 quilómetros por hora (km/h) no momento do acidente.

“Neste momento, ainda não tive acesso ao despacho de acusação, portanto, vamos aguardar, para perceber se vale ou não a pena pedir a abertura de instrução, ou se é preferível avançar já para julgamento, tendo em conta os timings habituais em que decorrem estes processos em Portugal”, referiu José Joaquim Barros.

O advogado da família de Nuno Santos esclarece, porém, que o facto de, em termos criminais, apenas o motorista do veículo ter sido acusado após as investigações, as conclusões do inquérito “reforçam a responsabilidade do Estado português, ao serviço do qual estava o automóvel envolvido no acidente”, que, segundo o causídico, deve agora “assumir o pagamento de uma compensação indemnizatória, a ser acertado entre as partes”, a ser paga à viúva e filhas da vítima mortal.

Recorde-se que o acidente ocorreu no dia 18 de junho, por volta das 13h00, ao quilómetro 77 da A6 (sentido Évora-Lisboa), autoestrada que liga Marateca à fronteira do Caia, em Elvas. O alerta para o acidente rodoviário foi dado aos bombeiros às 13h14.

Nuno Santos, 43 anos, casado, pais de duas filhas, trabalhador de uma empresa subcontratada pela Brisa, que realizava trabalhos de manutenção da via, foi atropelado pela viatura ao serviço do MAI, onde seguia Eduardo Cabrita. A vítima ainda foi assistida, mas acabaria por falecer no local.

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