Caos nas urgências do Hospital Santa Maria

As demissões em hospitais sucedem-se em catadupa de Norte a Sul do país. Hoje, demitiram-se dez chefes de equipa de urgência cirúrgica do Santa Maria

Hospital Santa Maria
Autor: Vítor Santos | 22 de Novembro de 2021

Apesar da demissão de dez chefes de equipa de urgência cirúrgica do Hospital Santa Maria, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) assegurou hoje, que “tudo fará” para manter o normal funcionamento da sua urgência.

Os dez chefes de equipa de urgência cirúrgica tinham enviado em 10 de novembro uma carta ao diretor clínico do CHULN na qual apresentavam a sua demissão em bloco a partir de hoje, por considerarem que a escala de urgência de cirurgia geral “não é exequível, segundo o regulamento de constituição das equipas de urgência”.

Em comunicado, o centro hospitalar afirma hoje que a Direção Clínica realizou nas últimas duas semanas cinco reuniões, envolvendo os chefes da equipa cirúrgica do Serviço de Urgência Central, assim como os assistentes hospitalares de Cirurgia Geral, com o objetivo de resolver questões levantadas pelos médicos na carta.

O centro hospitalar adianta que, resultante destes encontros, a direção clínica “consensualizou alterações em protocolos de resposta do serviço de urgência, indo ao encontro das reivindicações apresentadas, mudanças assumidas por escrito em documentos enviados pelo diretor clínico a elencar as principais medidas a serem implementadas e a sublinhar disponibilidade para aprofundamento de outras”.

“Ainda assim, os chefes da equipa cirúrgica do Serviço de Urgência Central do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte entendem que não foram resolvidas todas as questões identificadas”, salienta no comunicado.

O centro hospitalar sublinha que mantém “o mesmo espírito negocial construtivo e os mesmos canais de diálogo e procura de soluções”, assegurando que “tudo fará para manter o normal funcionamento da sua urgência e o reforço das suas equipas”.

O presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, João Proença, disse hoje à agência Lusa que os chefes de equipa fizeram “uma proposta de linha vermelha” ao Conselho de Administração do CHULN, mas como este respondeu de “forma evasiva” decidiram que, a partir de dezembro, vão comunicar que “já não fazem urgência porque têm mais de 55 anos”, além de irem limitar as horas extraordinárias.

Nove dos dez médicos que se demitiram do cargo de chefia já têm mais de 55 anos e, ao abrigo da lei, podem pedir dispensa do trabalho nas urgências.

Assim, adiantou João Proença, “não só deixam de ser responsáveis de equipa como deixam de fazer bancos de urgência”, o que, disse, “vai tornar insolúvel o problema do Serviço de Cirurgia do hospital central da área de Lisboa e ainda por cima universitário”.

Presidente da República apela a reaproximação

O Presidente da República expressou o “desejo” de que as “estruturas de saúde” se possam “reaproximar” dos chefes de cirurgia que hoje se demitiram do Hospital Santa Maria, defendendo que um “problema no funcionamento da saúde” é “indesejável”.

Falando aos jornalistas depois de ter participado numa conferência no ISCTE, intitulada “O futuro do trabalho visto pelos jovens”, Marcelo Rebelo de Sousa reagiu à demissão dos dez chefes de equipa de cirurgia do Hospital Santa Maria formulando “um desejo”.

“O que eu desejo é que seja possível reaproximar os pontos de vista e ultrapassar esta como outras situações que sejam situações que possam criar engulhos, bloqueamentos, naquilo que é fundamental na vida dos portugueses e que se chama saúde. É sempre importante, neste momento é mais importante”, referiu.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, é necessário aproximar “as estruturas e os responsáveis de saúde destes profissionais de saúde numa área muito sensível que são as urgências”, numa altura em que se procura, simultaneamente, “vacinar mais e mais depressa” e, por outro lado, “acorrer a várias doenças, a várias situações, muitas delas de urgência”.

“E, portanto, tudo o que seja neste momento paragem, ou seja crise, ou seja problema no funcionamento de saúde, é indesejável”, indicou.

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