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Chefe de gabinete contradiz declarações de Costa

Publicado por Vítor Santos em 7 de Maio de 2019 | 18:23

Tancos: Francisco André entregou o “memorando” sobre a operação ilegal da PJM, mas duas semanas depois António Costa negou ter conhecimento do documento

Francisco André - Chefe de gabinete do primeiro ministro

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O chefe de gabinete do primeiro-ministro garantiu na Comissão de Inquérito ao furto de Tancos, que lhe entregou a 12 de outubro o “memorando” sobre a operação ilegal da PJM, mas duas semanas depois António Costa negou ter conhecimento do documento

Francisco André revelou que entregou o “memorando” ao primeiro-ministro na manhã do dia 12 de outubro, de 2018, antes de uma “reunião de trabalho” que António Costa iria ter com Azeredo Lopes – no mesmo dia em que o ministro da Defesa pediu demissão, frisando não ter conhecimento “direto ou indireto, sobre uma operação em que o encobrimento se terá destinado a proteger o, ou um dos, autores do furto” em Tancos.

Porém, a 26 de outubro, quando confrontado pelos jornalistas sobre se tinha ou não conhecimento do documento, o primeiro-ministro negou, sublinhando que não conheceu o memorando sobre o furto de material militar dos paióis de Tancos, “nem através de Azeredo Lopes, nem através de ninguém”.

Mesmo se o chefe de Estado se estivesse a referir ao período anterior a 12 de outubro, quando faz as declarações já tinha tido conhecimento do memorando, tendo em conta o que revelou o chefe de gabinete.

O chefe de gabinete do primeiro-ministro, que entregou o memorando aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito, confirmou as diligências do assessor militar de António Costa, general Tiago Vasconcelos, para tentar obter um documento que já estava na altura a ser “amplamente referido” na comunicação social, na sequência das investigações da PJ à atuação da PJM.

Sobre o documento, Francisco André disse que se trata de um papel não timbrado, não datado nem assinado e destacou que dele resultam duas coisas: “há de facto uma preocupação de proteção do informador e que terá havido atuação da Polícia Judiciária Militar à revelia do que tinha sido definido pela Procuradora-Geral da República”, declarou.

Recorde-se que o ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes tem sempre sublinhado não se ter apercebido que estava em causa uma operação à margem da lei.

O chefe de gabinete de Costa sublinhou que achou “razoável” e uma “boa diligência” tentar obter o documento “para perceber o que se estava a passar”, mas frisou que a iniciativa foi feita já depois de ser público que o original tinha sido entregue pelo general Martins Pereira às autoridades judiciárias.

Segundo Francisco André, no final da reunião discutiu “brevemente com o primeiro-ministro” que “ficou com a plena convicção que o ministro da Defesa teria tido contacto com o documento apenas nesse dia” e pela primeira vez, contou.

O deputado António Carlos Monteiro lembrou um debate quinzenal, que se realizou no dia 10 de outubro, no qual o primeiro-ministro foi questionado sobre se tinha conhecimento do documento.

“Não querendo eu acreditar que teve acesso a documentos em segredo de justiça, como sabe se o documento é importante ou não é importante?”, respondeu António Costa ao PSD naquele debate.

Hoje, António Carlos Monteiro questionou: “então só para a oposição é que era crime obter o documento?”

“Como o documento já tinha sido entregue às autoridades judiciárias, considerei razoável e indicado que recebesse um documento que estava a ser amplamente referido na comunicação social e que me pareceu necessário” para perceber o enquadramento, disse Francisco André.

E o conhecimento desse memorando terá sido a “gota de água” para a demissão de Azeredo Lopes?, perguntou o deputado do PSD Matos Rosa, com Francisco André a escusar-se a dar a opinião sobre este ponto.

“O que foi público no próprio dia foi a publicação da carta de demissão do ministro da Defesa”, na tarde do mesmo dia, disse.

Azeredo Lopes apresentou a demissão do cargo no dia 12 de outubro passado, na sequência dos desenvolvimentos da investigação da Polícia Judiciária à operação da Polícia Judiciária Militar que levou à recuperação do material furtado em Tancos.

No âmbito da “Operação Hubris”, foram detidos o então diretor da PJM, coronel Luís Vieira, e o major Vasco Brazão, ex-investigador da mesma polícia, que afirmou que o ministro tinha sido informado da “encenação” que levou à recuperação do material.


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