Costa quer Medina como ministro das Finanças

Se o PS ganhar as eleições, António Costa quer ter nas Finanças um ministro com perfil político e Fernando Medina é o escolhido

Costa e Medina
Autor: Horta e Costa | 30 de Dezembro de 2021

“O que tenho pensado é que para estes tempos temos de ter uma equipa mais curta, renovada, ágil, com um novo modelo de Governo”, revelou António Costa no início de dezembro, sem adiantar nomes, mas o primeiro-ministro e recandidato nas eleições de 30 de janeiro já tem decisões tomadas.

Se o PS ganhar as eleições, João Leão não vai continuar no Ministério das Finanças e o nome preferido de Costa para o substituir é Fernando Medina, apurou o jornal ECO junto de duas fontes conhecedoras do processo.

As sondagens continuam a mostrar que o PS está à frente nas intenções de voto dos portugueses para as legislativas, mas o PSD aproximou-se, a direita cresceu e por isso resultado final está em aberto. António Costa vai entrar na pré-campanha eleitoral a tentar recuperar uma dinâmica que perdeu, também porque deixou a remodelação governamental para depois das autárquicas. Como o próprio, aliás, já reconheceu.

António Costa quer uma nova orgânica de Governo e com novos ministros (apesar de ter indicado vários deles para cabeça de lista às legislativas). E a carta surpresa deverá ser mesmo a de Fernando Medina. Fernando Medina, recorde-se, é economista de formação, foi assessor económico de António Guterres, foi secretário de Estado do Emprego com José Sócrates e, depois, foi também secretário de Estado da Economia, acompanhando Vieira da Silva. Já com António Costa, foi vice-presidente da Câmara de Lisboa e, depois, presidente. Até outubro deste ano, quando perdeu a autarquia para Carlos Moedas.

Contactada oficialmente, fonte oficial do PS respondeu após a publicação deste artigo afirmando que “cabe ao Primeiro-ministro escolher a sua equipa” e que “o Partido Socialista não comenta nem alimenta especulações sobre uma futura equipa Governativa“. “O Partido Socialista manifesta a sua perplexidade com a notícia avançada pelo jornal Eco”, acrescenta, remetendo explicações para 3 de janeiro, dia em que o programa eleitoral do PS será apresentado.

Segundo o ECO, o primeiro-ministro e secretário-geral do partido confidenciou a pessoas próximas que avaliou diferentes alternativas para as Finanças, mas não terá encontrado nenhum outro nome em quem tenha confiança pessoal para uma função que vai exigir, mais do que nunca, capacidade política. Além disso, a avaliação do núcleo duro de Costa é a de que Leão foi, sobretudo, um ministro da execução orçamental e nunca assumiu verdadeiramente o papel de ministro das Finanças.

Já se sabe que Medina é candidato a deputado no círculo de Lisboa, em 5º lugar, enquanto o atual ministro volta a não constar das listas. Mário Centeno, recorde-se, entrou também na lista de deputados em 2019 e, coincidência, também em 5º lugar, mas renunciou logo a seguir para assumir o cargo de ministro das Finanças.

Acresce, Costa continua a apostar no ‘tudo ou nada’, isto é na vitória com maioria absoluta ou na demissão se perder as eleições. Mas como indicam as sondagens, o PS está à frente nas intenções de voto, mas longe de poder ter maioria, e isso obrigará a entendimentos políticos. Daí a aposta na experiência de Medina em contraponto a um perfil académico, como foi a que presidiu à escolha de Mário Centeno em 2015. Medina foi o seu sucessor na Câmara de Lisboa e era o preferido, e delfim, numa sucessão no PS, caminho que foi posto em causa com a derrota política na capital.

A elaboração da proposta de Orçamento do Estado para 2022, e num curto espaço de tempo, será o primeiro teste ao novo ministro das Finanças, e também aqui o perfil de Fernando Medina é um trunfo. Já tem experiência governativa para pôr a máquina das Finanças, e a direção geral do Orçamento, em particular, a trabalhar assim que tome posse.

Não é a primeira vez que o nome de Fernando Medina surge associado às Finanças. Em 2019, depois das eleições, surgia a informação de que Mário Centeno sairia, a prazo, e que o autarca seria o sucessor. Questionado, Medina considerou a hipótese “bizarra“, mas nessa altura ainda era presidente da Câmara. Agora, tudo mudou.

As mudanças nas áreas económicas do Governo não ficarão por aqui se o PS ganhar as eleições. O ministro de Estado e da Economia e número dois na hierarquia do Governo, Pedro Siza Vieira, deverá ser outra saída e Nélson de Souza, o ministro do Planeamento, também. Costa tem dado sinais de que quer rever a orgânica da Economia e da pasta dos fundos comunitários, e uma das possibilidades é a mesmo uma fusão dos ministérios, e a criação de uma espécie de super-ministério.

Ana Abrunhosa, que tem a pasta da Coesão, é um dos nomes em cima da mesa. Professora de economia na Universidade de Coimbra, Abrunhosa já domina os fundos comunitários, instrumento que será essencial no próximo ciclo político, e há o reconhecimento de que o atual modelo, com o Planeamento de um lado e a Coesão, do outro, não funciona.

Seguro está Pedro Nuno Santos nas Infraestruturas. Depois da vitória política no dossiê TAP, o ministro terá já mostrado disponibilidade para manter-se na mesma pasta, especialmente por causa de duas áreas, que estão ainda longe do que pretende: A Ferrovia e a habitação, duas áreas, ainda por cima, com centenas de milhões disponíveis no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que não pesam no orçamento do Estado, portanto, livres da política de cativações do investimento público.

Em entrevista recente ao ECO, Pedro Nuno Santos escusou-se a fazer comentários sobre o seu futuro político num próximo Governo. “Tenho a convicção plena de que o PS vai ganhar as eleições e estou disponível para fazer aquilo que o senhor primeiro-ministro entender que eu deva fazer. Não é fugir à minha forma de falar abertamente com as pessoas, mas não é simpático nem educado nem correto estar a dizer em público o que gostaria de fazer quando é uma decisão que depende do primeiro-ministro”.

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