COVID-19. DGS admite cercar o Porto

Publicado por Adília Vieira em 30 de Março de 2020 | 17:46

DGS admite cercar o Porto. A Câmara faz críticas a Graça Freitas, diz que é absurdo e contesta a consistência das estatísticas. Está aberto o conflito

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, revelou esta segunda-feira, 30 de março, que está em cima da mesa a hipótese de criar um cordão sanitário no Porto, decisão que será tomada ainda no decorrer deste dia pelas autoridades regionais, as autoridades de saúde nacionais e o Ministério da Saúde.

A medida impede os cidadãos de saírem do Porto e já é aplicada no concelho de Povoação, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde permanece até ao dia 13 de abril.

A iniciativa surge porque no Porto registaram-se mais 524 novos casos de infeção em 24 horas — de domingo para esta segunda-feira — sendo que do total de 941 casos registados no boletim desta segunda-feira, 853 são profissionais de saúde, de acordo com as declarações do secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, esta segunda-feira.

Só que a medida apanhou a Câmara do Porto de surpresa. Em comunicado, citado pelo jornal “Público”, a autarquia diz ter ficado “surpreendida por uma inopinada e extemporânea referência” de Graça Freitas e acrescenta que considera a medida “absurda num momento em que a epidemia de COVID-19 se encontra generalizada na comunidade em toda a região e País”.

“A Câmara do Porto deixa de reconhecer autoridade à senhora diretora-geral da Saúde, entendendo as suas declarações de hoje como um lapso seguramente provocado por cansaço”, ataca a autarquia, revelando desagrado para com a medida que está a ser avaliada pelas autoridades, uma vez que nem a Câmara do Porto, a Proteção Civil do Porto, a Proteção Civil distrital, ou o presidente da Câmara, “foi contactado, avisado ou consultado pela Direcção-Geral da Saúde”.

Além de a medida não ter sido requisitada pela autarquia, a mesma revela que seria impossível ser aplicada, uma vez que vai impedir o funcionamento dos serviços básicos da cidade, como a limpeza urbana, a recolha de resíduos e o abastecimento e acessos a dois hospitais centrais, porque muitos dos trabalhadores e serviços encontram-se fora da cidade.

A autarquia deixa por isso claro que “não pode concordar com uma medida dessa natureza, baseada em estatísticas sem consistência científica ou fiabilidade, emitidas diariamente pela DGS e cujas variações demonstram a sua falta de fiabilidade. Muito menos faz sentido isolar uma cidade quando à sua volta a situação epidemiológica nos concelhos limítrofes é em tudo igual”.

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