Covid-19: Medidas de contingência anunciadas

Publicado por Vítor Santos em 10 de Setembro de 2020 | 14:31

Medidas de contingência, Covid-19: Ajuntamentos passam a estar limitados a 10 pessoas e estabelecimentos comerciais com abertura às 10 horas

Após o Conselho de Ministros desta quinta-feira, estão a ser agora anunciadas as medidas que servirão para enfrentar a situação de contingência, decretada a partir do próximo dia 15.

António Costa anunciou esta tarde as medidas para a situação de contingência. Tal como já acontecia na Área Metropolitana de Lisboa (AML), a partir da próxima terça-feira passam a ser proibidos, e em Portugal Continental, os ajuntamentos com mais de dez pessoas.

Para além disso, os estabelecimentos comerciais não podem abrir antes das 10h (com exceções), e devem fechar entre as 20h e as 23h, esta segunda medida é tomada por decisão municipal. Nas áreas de restauração dos centros comerciais, passa a haver um limite máximo de quatro pessoas por grupo.

Junto às escolas, nos restaurantes, cafés e pastelarias a 300 metros dos estabelecimentos, há também um limite máximo de quatro pessoas por grupo.

É alargada a todo o país também a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas estações de serviço — e, em todos os outros estabelecimentos a partir das 20h, exceto nos estabelecimentos de comida, às refeições. Regressa também ao resto do país a proibição do consumo de bebidas alcoólicas na via pública.

“Estas medidas não são nenhum juízo moral contra as festas”, afirma António Costa, sublinhando que têm como objetivo a salvaguarda da saúde pública. “Muitas das regras que têm vigorado já na AML vão ser aplicados a todo o país”, anunciou António Costa.

O anúncio concreto das medidas foi feito esta quinta-feira, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, após a reunião do Conselho de Ministros, que se encontrou para discutir as medidas para a próxima fase na luta contra a covid-19, numa altura em que os casos estão novamente a subir — esta quarta-feira, registou-se o número mais alto de novas infeções desde 20 de abril. Com o regresso às aulas na próxima semana, o governo tinha já anunciado, esta manhã, o reforço dos transportes públicos.

Nas escolas

Com o regresso às aulas em regime presencial, o governo garante a readaptação do funcionamento das escolas à nova realidade sanitária, planos de contingência em todos os estabelecimentos de ensino, a distribuição de equipamentos de proteção individual e um referencial de adaptação perante casos suspeitos, positivos ou surtos. A isto junta-se a medida de restrição dos grupos a um limite de quatro nos estabelecimentos num raio de 300 metros à volta das escolas.

“Temos de nos organizar para que tudo possa correr bem”, afirma o primeiro-ministro, que espera que o ano letivo possa chegar ao fim sempre em regime presencial. Ainda assim, a rede de ensino à distância vai manter-se, quer para apoio, quer caso seja necessário recorrer ao Estudo em Casa.

Nos lares

Para fazer frente aos problemas nas estruturas residenciais para idosos, o governo estabelece “brigadas distritais de intervenção rápida”, cujo objetivo será conter e estabilizar os surtos nos lares.

Mudança de rotinas justifica o alargamento da contingência a todo o continente

O primeiro-ministro lembrou que o risco de transmissibilidade nunca se afastou “significativamente” da marca do 1%, mas assume a preocupação com o “crescimento sustentado” de novos casos. António Costa apelou mais uma vez à utilização da aplicação para smartphone “Stayaway Covid”, que já foi descarregada 735.243 vezes até esta quinta-feira.

Em final de agosto, precisamente numa conferência de imprensa após uma reunião do Conselho de Ministros, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, justificou esta decisão do Governo de impor novas regras a partir de 15 de setembro, de forma preventiva, com a “mudança significativa de rotinas” que acontecerá.

“O Governo considera que esta mudança significativa nas rotinas, na utilização dos transportes, o regresso às aulas e um regresso mais significativo ao mercado de trabalho pode necessitar de medidas adicionais”, disse então Mariana Vieira da Silva.

Na segunda-feira, no Porto, à entrada da reunião que marcou o regresso dos encontros entre especialistas, políticos e parceiros sociais para analisar a situação epidemiológica de covid-19, o primeiro-ministro, António Costa, alertou que Portugal vai entrar “numa fase crítica” devido à mudança de estação, início do ano letivo e recomeço de muitas atividades, apelando ao cumprimento das regras para controlar a pandemia.

Esta reunião, de acordo com fonte do executivo, seria importante para acertar estas medidas a adotar a partir de terça-feira.

Já na quarta-feira, o chefe do executivo socialista reafirmou que uma situação de confinamento “é um não cenário”, porque o país não a suportaria, e voltou a pedir aos portugueses para serem “muitíssimo disciplinados” no cumprimento das regras.

Segundo boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado na quarta-feira, Portugal registou nas últimas 24 horas mais três mortes relacionadas com a covid-19 e 646 novos casos de infeção pelo coronavírus SARS-Cov-2.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 898.503 mortos e infetou mais de 27,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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