Covid-19: não foram as festas a comprometer o milagre

Publicado por Vítor Santos em 23 de Junho de 2020 | 21:44

Adolfo Mesquita Nunes acusa a DGS de decidir politicamente e o governo de criar uma narrativa de que o povo irresponsável comprometeu o milagre

O antigo secretário de Estado do Turismo assinou um artigo de opinião no Jornal de Negócios onde tece duras críticas ao governo por “emitir juízos morais sobre os ajuntamentos que a população decide organizar no uso da liberdade que a Direção-Geral da Saúde só reconhece a alguns”.

Adolfo Mesquita Nunes acusa a DGS de decidir politicamente e o governo de criar uma narrativa de que o “povo irresponsável” comprometeu o milagre “com as suas ilegais veleidades”.

“As autoridades públicas sentiram-se à vontade para autorizar celebrações e manifestações, sempre com desculpas mais políticas do que sanitárias, e queriam o quê? Que o resto das pessoas não olhasse para o despropósito de ajuntamentos ao arrepio das regras que se aplicam a todos e não ficasse a pensar que a coisa afinal não passava de um exagero?”

As palavras são de Adolfo Mesquita Nunes no seu espaço semanal de opinião no Jornal de Negócios e onde, esta terça-feira, tece duras críticas à Direção-Geral de Saúde e ao governo na gestão deste segundo momento de desconfinamento e de combate à pandemia.

No texto, o antigo secretário de Estado e deputado do CDS questiona as autoridades públicas: “a reboque de todas as iniciativas políticas do Estado, sempre prontas a dizer que não há qualquer problema nisto ou naquilo desde que lá esteja um membro do Governo a enfeitar ou a mandar, esperavam o quê? Que o resto das pessoas achasse que precisava de convidar um membro do Governo para a sua celebração, para a sua comemoração, se tornar legal, aceitável?”. Para, logo depois, acusar a DGS de ser política, afirmando que “os critérios sanitários são sempre descartados quando a DGS se pronuncia a favor de um ajuntamento”

“Há uma proibição geral, que as autoridades vão levantando com critérios que escapam aos critérios sanitários. Ele é porque é bom que venham turistas, ou porque há datas que se impõem, ou porque há valores que se levantam ou porque é um prémio pelo bom comportamento de Portugal”, ironiza.

Mesquita Nunes salienta que a questão não é se há ou não há milagre, mas sim “a insuportável arrogância de quem acha que as regras só se aplicam aos outros, de quem acha que pode cavalgar a onda quando ela parece vencida e pôr as culpas no povo irresponsável quando a onda se mostra por vencer”.

O artigo acusa mesmo o governo de “construir a narrativa de que estava aí um milagre e foi o povo irresponsável que o comprometeu com as suas ilegais veleidades”, garantindo há quem repare nessa estratégia e sublinhando que “não, não foram as “festas ilegais” a comprometer o milagre” e considerando “inaceitável que o Estado, seja por que autoridade for, venha emitir juízos morais sobre os ajuntamentos que a população decide organizar no uso da liberdade que a DGS só reconhece a alguns”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 472 mil mortos e infetou mais de 9,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.540 pessoas das 39.737 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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