Dívidas de hospital travam compra de medicamentos para cancro

Publicado por Vítor Santos em 28 de Janeiro de 2020 | 11:19

Dívidas do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, travam compra de medicamentos para cancro no valor de 2,7 milhões de euros

As dívidas acumuladas do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHLN) levaram o Tribunal de Contas a chumbar a compra de dois medicamentos para o cancro no valor de 2,7 milhões euros.

Vítor Veloso, oncologista e dirigente da Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC), informa que os medicamentos Lenalidomida e Talidomida – que são tratamentos de “primeira linha” no mieloma múltiplo – não foram comprados pelos hospitais Santa Maria e Pulido Valente, ambos em Lisboa, por problemas financeiros, impendindo que doentes com doença oncológica fossem tratados com estes fármacos eficazes.

“Há a medicação clássica ou os transplantes de medula, mas numa fase mais avançada estes dois medicamentos são essenciais para que exista uma sobrevivência bastante grande e sobretudo uma qualidade de vida boa dos doentes durante os anos que vivem”, refere o especialista à TSF que avança hoje a notícia.

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHLN) tem fundos negativos de 54,6 milhões de euros, o que à luz da Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso o impede de avançar com a compra de novos fármacos por não ter verba disponível para os pagar em três meses.

Hospital nega

No entanto, àquela rádio, fonte hospitalar adiantou que “os doentes seguidos têm e sempre tiveram acesso aos fármacos em causa”.

O CHLN sublinha que nunca existiu qualquer limitação na disponibilização destes medicamentos, “garantindo aos seus utentes toda a segurança e os tratamentos mais adequados”.

O mieloma múltiplo é uma doença oncológica com origem nos plasmócitos da medula óssea, que se não for tratado pode metastizar para várias partes do corpo.

Além do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, também o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro viu, na mesma altura, pelas mesmas razões, um contrato recusado, adianta Vítor Veloso da LPCC.

Neste caso, dívidas acumuladas impediram a contratação de serviços para limpar roupa hospitalar.

Cancro é a segunda principal causa de morte

Os tumores malignos são a segunda principal causa de morte em Portugal, depois das doenças do aparelho circulatório.

Anualmente este tipo de doenças oncológicas provocam mais de 25 mil óbitos, o que corresponde a cerca de um quarto do total da mortalidade nacional.

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