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Fraca adesão ao protesto dos coletes amarelos

Publicado por Vítor Santos em 21 de Dezembro de 2018 | 20:40

Fraca adesão em todo o país ao protesto dos “coletes amarelos” em que 12 pessoas foram identificadas e três detidos

Coletes Amarelos

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A rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, foi o último local de onde manifestantes dos “coletes amarelos” desmobilizaram, nos protestos marcados pela pouca adesão em todo o país, em que 12 pessoas foram identificadas e três detidas.

Cerca das 19:10, restavam 12 “coletes amarelos” no Marquês de Pombal, onde pelas 12:00 a PSP deteve três pessoas por “desobediência, resistência e coação à autoridade”, após um dos vários momentos de tensão entre manifestantes e a polícia.

Os próprios manifestantes não se entenderam entre si em várias ocasiões, como em Braga, onde pelas 13:20 o protesto terminou com desacatos entre participantes, mas também em Lisboa, onde chegaram a estar em desacordo sobre o destino do protesto, quando por exemplo uns gritaram “Assembleia, Assembleia” e outros “daqui não saímos”.

A manifestação convocada para o final da tarde junto ao Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, reuniu quatro pessoas, conforme constatou a Lusa no local.

Até às 19:30 eram conhecidas 12 identificações feitas pela PSP a manifestantes no Porto e em Coimbra, além dos três homens detidos em Lisboa.

Apesar da fraca expressão, o protesto cortou por momentos algumas vias e obrigou a alguns condicionamentos de trânsito.

A Direção Nacional da PSP abriu um processo interno para averiguar o comportamento de um agente daquela força policial que, em Coimbra, foi visto num vídeo a despir e atirar o colete da polícia para o chão e, aparentemente, desafiar os manifestantes.

O primeiro-ministro, António Costa, que se deslocou de manhã ao Seixal, na margem Sul do rio Tejo, foi o primeiro responsável político a referir-se aos protestos, numa altura em que não havia ainda incidentes a registar.

“Nós desejamos que, como é próprio e tradicional em Portugal, que a manifestação se realize com liberdade democrática e obviamente com respeito e tranquilidade. É assim que tem estado a correr e é assim que espero que continue até ao fim do dia”, afirmou o chefe do Governo.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, teve igualmente agenda, e, falando perante o Conselho da Diáspora Portuguesa, não se referiu aos protestos, mas aconselhou os atores políticos a “olhar com mais atenção” para o que mudou na Europa e no país.

O presidente do PSD, Rui Rio, qualificou o protesto como um fracasso, mas também como “um aviso”, defendendo que os partidos tradicionais têm de perceber a necessidade de mudar e atacar os “problemas estruturais”.

Já a coordenadora bloquista, Catarina Martins, atribuiu a fraca adesão ao protesto à “tentativa de instrumentalização da extrema-direita”, considerando que “as pessoas em Portugal sabem que não será daí que vem a solução”.

Entre os partidos, a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, foi a única que tentou uma aproximação aos “coletes amarelos”, ao afirmar que muitas das teclas que estão a ser tocadas” pelos manifestantes são semelhantes às que o partido “tem vindo a insistir no parlamento”.

Os protestos dos “coletes amarelos” em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários das últimas semanas em França.

Um dos grupos, Movimento Coletes Amarelos Portugal, num manifesto divulgado na quarta-feira, propõe uma redução de impostos na eletricidade, com incidência nas taxas de audiovisual e emissão de dióxido de carbono, uma diminuição do IVA e do IRC para as micro e pequenas empresas, bem como o fim do imposto sobre produtos petrolíferos e redução para metade do IVA sobre combustíveis.


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