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Governo de Costa mentiu e foi apanhado

Publicado por Vítor Santos em 27 de Fevereiro de 2019 | 21:07

Propaganda do PS diz que o Governo reduziu em 50% as dívidas do SNS aos fornecedores hospitalares. Afinal é tudo mentira

Governo mente aos portugueses

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Depois de, na manhã de hoje, o Polígrafo ter publicado um fact-check em que conclui que o Partido Socialista publicou, na sua página no Facebook, informação incorreta sobre uma alegada redução de dívidas do Estado aos fornecedores do SNS, a publicação foi eliminada daquela rede social.

O Partido Socialista afirma que a retirada de conteúdos do Facebook é uma prática corrente, mas uma análise superficial do histórico da página é suficiente para constatar que isso não corresponde à verdade.

O Partido Socialista (PS) retirou da página oficial de Facebook a publicação que tinha feito esta terça-feira, 26, em que garantia que se verificou uma “redução de 50% das dívidas aos fornecedores hospitalares”. Ao percorrer a cronologia já não é possível encontrar a imagem de propaganda que o Polígrafo identificou como sendo falsa.

Ao Polígrafo, o gabinete de comunicação do PS garante que “não foi retirada nenhuma publicação” e acrescenta que a imagem “apenas não está em destaque”. O partido explica que faz uma mudança dos destaques “regularmente”. No entanto, a verdade é que não é prática habitual retirar publicações de “destaque” – o que acontece é que à medida que são feitas novas partilhas e publicações – devido ao formato cronológico característico do Facebook – estas surgem acima das anteriores, tendo maior relevo.

De facto, se formos ao separador “Fotos” e selecionarmos o álbum “Fotos da cronologia” ainda é possível ver a imagem partilhada. Nos comentários, um leitor partilhou, logo na manhã de hoje, o fact-checking feito pelo Polígrafo, intitulado “Propaganda do PS diz que o Governo reduziu em 50% as dívidas do SNS aos fornecedores hospitalares. Verdade ou Mentira?”.

Sob as hashtags “#PortugalMelhor” e “#UmPaísParaTodos”, a imagem em causa remete para o Serviço Nacional de Saúde, com o perfil de um médico, além do símbolo do partido e, mais uma vez, a hashtag “#PortugalMelhor”. No centro da publicação destaca-se a seguinte mensagem: “Redução de 50% das dívidas aos fornecedores hospitalares”.

Os dados podem ser conferidos no portal “Transparência” do próprio Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente nas tabelas e gráficos que indicam a dívida total, vencida e pagamentos em atraso (pode aceder aqui). De acordo com os dados mais recentes, em dezembro de 2018, a soma de dívida vencida a fornecedores externos cifrava-se em mais de 903 milhões de euros. No mês anterior era de 1,3 mil milhões de euros, representando assim uma diminuição substancial, na ordem dos 400 milhões de euros, ainda assim distante da “redução de 50%” propalada na publicação em análise.

Para comprovar a veracidade da publicação do PS, os dados mais recentes (dezembro de 2018) têm que ser comparados com os últimos dados cuja responsabilidade pode ser atribuída ao Governo anterior.

Ou seja, os dados de novembro de 2015, quando o atual Governo do PS tomou posse. Nesse preciso mês, a soma de dívida vencida a fornecedores externos do Serviço Nacional de Saúde cifrava-se em mais de 907 milhões de euros. É um valor praticamente idêntico ao de dezembro de 2018, com uma pequena diferença de quatro milhões de euros. Mesmo que se referisse à soma da dívida total aos fornecedores externos e não apenas à dívida vencida, essa dívida total em dezembro de 2018 era de cerca de 1,5 mil milhões de euros, ao passo que em novembro de 2015 era de cerca de 1,4 mil milhões de euros.

O Ministério da Saúde enviou uma nota ao Polígrafo explicando que a publicação da página do PS basear-se-ia numa comparação “em termos homólogos”, ou seja, a alegada “redução de 50%” seria em comparação com o mês anterior (novembro de 2018), ou com o mês de dezembro do ano anterior (2017), e não com o início da legislatura (novembro de 2015). A nota aponta também para outro indicador do portal “Transparência”: a soma de pagamentos em atraso, além da soma de dívida total (fornecedores externos) e da soma de dívida vencida (fornecedores externos) que são referidos na análise do Polígrafo.

De facto, a soma de pagamentos em atraso baixou de cerca de 906 milhões de euros em novembro de 2018 para cerca de 485 milhões de euros em dezembro de 2019 (e em dezembro de 2017 era de cerca de 843 milhões de euros). No entanto, mesmo na comparação “em termos homólogos” entre os dois últimos meses de 2018 (e também na comparação com o mês de dezembro do ano anterior), não se verifica a propalada redução de 50%.

Por outro lado, comparando com o mês de novembro de 2015, quando o atual Governo do PS tomou posse, verifica-se que nessa altura a soma de pagamentos em atraso era de cerca de 462 milhões de euros. Em suma, mesmo com a recente descida dos pagamentos em atraso, o valor em dezembro de 2018 continuava a ser superior ao que se registava no início da legislatura.

De resto, o Ministério da Saúde publicou hoje uma nota oficial em que anuncia “uma nova injeção de capital (282 milhões de euros) para reduzir as dívidas dos hospitais”.


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