brasil, , , , " />
últimas

Jair Bolsonaro é oficialmente Presidente do Brasil

Publicado por Vítor Santos em 1 de Janeiro de 2019 | 19:44

Bolsonaro quer um Brasil sem “viés ideológico”, com primazia da família, da religião e onde o cidadão deve “ter meios de se defender”

Jair Bolsonaro

Siga-nos através do Facebook

Primeiro foi a vez de Jair Bolsonaro. Solene, proferiu as palavras previstas para a cerimónia de posse e que representam o compromisso constitucional do presidente eleito. Assim o fez e assim foi empossado.

Seguiu-se o general Hamilton Mourão, o  agora vice-presidente do Brasil,  que num tom bem mais acentuado – quase se pode dizer que usou voz de comando ao proferir as mesmas palavras – repetiu o compromisso constitucional. “Prometo manter e cumprir a constituição, observar as leis e promover o bem geral do povo brasileiro”, afirmaram ambos – “pela união, integridade e independência do Brasil”.

No discurso de posse, o novo presidente brasileiro reafirmou as principais ideias que defendeu durante a campanha eleitoral e que lhe deram a vitória nas urnas, não sem antes sublinhar que regressa ao local onde esteve nos últimos 28 anos – o Congresso – e de agradecer a Deus estar vivo. “Começo por agradecer a Deus por estar vivo, pelas mãos de profissionais” que “operaram um verdadeiro milagre”, afirmou.

“Com humildade, volto a esta casa, onde por 28 me empenhei em servir a nação brasileira”, proferiu Jair Bolsonaro, que considerou ter “travado muito embates” e ter “acumulado experiências e aprendizagens que me deram a oportunidade de crescer e amadurecer”.  “Volto a esta casa, não mais como deputado, mas como Presidente da República Federativa do Brasil, mandato a mim confiado pela vontade soberana do povo brasileiro”, declarou.

“Hoje aqui estou, fortalecido, emocionado e profundamente agradecido a Deus, pela minha vida, e aos brasileiros, que confiaram a mim a honrosa missão de governar o Brasil, neste período de grandes desafios e ao mesmo tempo de enorme esperança, governado com vocês”, acrescentou.

Foi um discurso onde se ouviu várias vezes a palavra ideologia, assumida por Bolsonaro como algo que quer deixar para trás  –  numa alusão clara à ideologia do PT, partido que que foi o seu principal adversário nas eleições presidenciais –  e onde foi claro o foco na primazia da família, da moral e da religião. No fundo, duas linhas de força da campanha hoje reafirmados sem surpresa. A segurança, tema crucial na sociedade brasileira atual, esteve também em destaque, bem como a economia onde garantiu reformas e abertura ao mercado internacional.

“Convoco cada um dos congressistas na missão de reestruturar e recuperar a nossa pátria”, começou por afirmar Bolsonaro, afirmando que têm pela frente “uma oportunidade única de recuperar o nosso país”. “Enfrentaremos enormes desafios, mas se tivermos a sabedoria de ouvir a voz do povo alcançaremos o êxito”.

O presidente empossado prometeu liderar “pelo exemplo e pelo trabalho”, respeitar todas as religiões e seguir a “tradição judaico-cristã” do país e “uma sociedade sem discriminação”.  “Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e a nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de género, conservando os nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas”, defendeu.

Um dos momentos mais aplaudidos do discurso foi quando falou do tema da segurança e invocou as palavras de ordem da bandeira do Brasil – ordem e progresso – para defender o direito à defesa pessoal. “O cidadão de bem merece meios para se defender”, afirmou.

O novo presidente dedicou ainda uma parte do discurso ao tema da educação tendo reafirmado o empenho em “construir uma sociedade sem discriminação ou divisão. Daqui em diante nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros que querem boas escolas para educar seus filhos, por forma a que tenham bons empregos, e não uma educação virada para a militância política”.

Na economia, o novo presidente prometeu reformas em nome da sustentabilidade financeira e que considerou essenciais para relançar o crescimento económico e abrir o mercado interno brasileiro ao comércio internacional “sem o viés ideológico”.

“Precisamos de criar um ciclo virtuoso para a economia, que traga a confiança necessária para permitir abrir o nosso mercado ao comércio internacional, estimulando a competição, a produtividade e a eficácia sem o viés ideológico”, disse o novo chefe de Estado brasileiro.

Bolsonaro prometeu ainda trazer “a marca da confiança, do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência” à economia brasileira, acrescentando que haverá “confiança no cumprimento da regra de que o Governo não gastará mais do que arrecada e na garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitadas”.

Bolsonaro afirmou ainda “pretender partilhar o poder de forma progressiva, responsável e consciente”. “Uma das minhas prioridades é proteger e revigorar a democracia brasileira”, apontou.

“Hoje começamos um trabalho árduo, para que o Brasil inicie um novo capítulo da sua história, no qual será visto como um país forte, pujante, confiante e ousado. A política externa retomará o seu papel na defesa da soberania, na construção da grandeza e no fomento ao desenvolvimento do Brasil”, defendeu.

O presidente agora empossado terminou o discurso com o slogan da campanha que o levou ao Palácio do Planalto: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

No segundo discurso do dia, no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro retomou as ideias chave proferidas no congresso

Jair Bolsonaro foi recebido no Palácio do Planalto por Michel Temer, o presidente cessante do Brasil, que lhe entregou a faixa presidencial.

Mas foi Michelle Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro, que, em língua gestual, inaugurou o discurso do Presidente, ao agradecer a todos os brasileiros o “apoio e carinho desde o início” da campanha. Agradeceu também aos que “mostraram a solidariedade durante os momentos difíceis pelos quais” o seu marido passou.

“É um privilégio poder contribuir para toda a sociedade brasileira. As eleições deram voz a quem não era ouvido. O cidadão brasileiro quer paz, segurança e prosperidade”, acrescentou a primeira-dama, recordando que a comunidade deficiente será “valorizada”.

“Estamos todos de um lado só”, acrescentou a primeira-dama, prometendo “liberdade para todos”.

Passando a palavra a Jair Bolsonaro, o presidente do Brasil reforçou as palavras proferidas no Congresso, destancando que o momento que vive “não tem preço. Servir a pátria como chefe do executivo, e isso só está sendo possível porque Deus preservou a minha vida e vocês acreditaram em mim. Junto temos como fazer com que o Brasil ocupe o lugar que ele merece no mundo”.

Bolsonaro disse que o dia 1 de janeiro é o “dia em que o povo se começou a libertar do socialismo, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

Jair Bolsonaro voltou a “comprometer com o desejo de esperança” e com o “respeito pela democracia”, reafirmando o desejo de manter “Deus no coração”.

O presidente eleito reforçou a necessidade de combater a corrupção e admitiu que o propósito das medidas futuras terá como primeiro propósito o “bem-geral dos brasileiros”.

Às 19h30 e de Lisboa terá lugar a cerimónia de posse dos 22 ministros escolhidos por Jair Bolsonaro e às 20h15 será feita a fotografia oficial do novo executivo brasileiro.

As cerimónias encerram com uma receção para 2500 convidados no Palácio Itamaraty.


Deixe o seu comentário

Leia também

Notícias relacionadas
Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE