diretor rtp, , , , , " />
últimas

O jornalista o Cidadão e Ronaldo

Publicado por Vítor Santos em 6 de Outubro de 2018 | 22:08

Enquanto cidadão, arrisco a minha opinião. Não vou atrás da manada que segue os partidos políticos como se de um clube de futebol se tratasse

Paulo Dentinho

Siga-nos através do Facebook

Em jornalismo o que é importante é o interesse público e não o que interessa ao público. O que é de interesse público é completamente diferente do que interessa ao público. E se todos os jornalistas seguissem esta regra, o povo estaria mais atento, mais esclarecido e menos afeto e ávido de histórias de “faca e alguidar”.

Se todos os jornalistas seguissem esta regra jamais teríamos na Assembleia da República políticos manhosos, mentirosos e corruptos, a tirarem partido da nossa débil democracia.

Enquanto cidadão, arrisco a minha opinião. Não vou atrás da manada que segue os partidos políticos como se de um clube de futebol se tratasse. Escrevo o que sinto segundo o meu estado de espírito. E pouco me importa que no rodapé dos meus artigos de opinião sejam escritos comentários tais como: precisas urgentemente de um psiquiatra”, ou “que falta de respeito tratar o Presidente da República por tu”, ou, ainda, ser diagnosticado de ter “azia”.

Para os menos esclarecido ou incultos, dou o seguinte exemplo: enquanto jornalista, com base em estudos conclusivos ou declarações de pessoas entendidas na matéria, tenho o dever (repito: dever), de escrever que o álcool é prejudicial à saúde. Enquanto cidadão, nada me impede, se me apetecer, de apanhar uma valente bebedeira porque tenho esse direito.

Vem esta minha longa introdução a propósito de um “post” publicado no Facebook pelo diretor de informação da RTP.

Na sua conta no Facebook, Paulo Dentinho fez duas publicações sobre o caso do alegado abuso sexual no qual Cristiano Ronaldo foi acusado pela professora norte-americana Kathryn Mayorga.

“Há violadas de primeira, violadas de segunda categoria, violadas de terceira categoria, etc. Depende do estatuto delas mas, sobretudo, do estatuto deles”, escreveu Paulo Dentinho na sua página pessoal da rede social. “E se o violador tiver a auréola de herói nacional, é p*** de certeza, no mínimo dos mínimos uma aproveitadora sem escrúpulo algum”, acrescentou.

Caiu o “céu e a trindade”. Logo se levantaram os puritanos e, claro está, as empresas que podem perder milhões com o arrastamento do caso.

Manuela Brandão, porta-voz da Gestifute, que representa Cristiano Ronaldo, reagiu aos comentários de Paulo Dentinho. “Há diretores de primeira, diretores de segunda e aqueles que nunca na p* da vida deviam ocupar um lugar de tamanha responsabilidade por não terem o mínimo exigível de qualidade, profissionalismo, isenção, carácter, credibilidade e bom senso”, acrescentando: “Porque ser diretor de informação da RTP não é o mesmo que ser diretor do jornal da paróquia. Porque ser jornalista da RTP exige responsabilidade, ética, seriedade, isenção”.

Pois é, Manuela Brandão, mas tal como referi acima, o jornalista também tem direito a ter opinião! Também é gente, também pensa, age e interage fora da sua atividade profissional. E tem todo o direito em faze-lo! E sem prejuízo do cargo que ocupa.

O meu colega Paulo Dentinho não teve (ou não quis ter), “tomates” para lhe responder. Mas eu respondo-lhe: Há porta-vozes de primeira, porta-vozes de segunda e aquelas que nunca na p* da sua vida deviam ocupar o lugar que a senhora ocupa.

Não confunda instituições com pessoas. Porque isso é próprio de mentes retrógradas, que vêm no horizonte um único caminho dispensando o uso de “GPS” , que, é como quem diz: não para, não escuta nem olha.

Pessoalmente, admito que no “fogo” de um ato sexual possam existir excessos. Mas excessos permitidos! Porque, de outra forma, nunca me sentiria bem comigo mesmo.

Opinião de Vítor Santos (diretor de informação da MTV)


Deixe o seu comentário

Leia também

Notícias relacionadas