Luís Filipe Vieira detido após ser alvo de buscas

Detenção antecede as buscas que ocorreram durante esta manhã e estão a ser realizadas às instalações do Benfica e à sede do Novo Banco

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Autor: Vítor Santos | 7 de Julho de 2021

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi detido, de acordo com a “SIC Notícias”, no âmbito das relações com o empresário José António dos Santos, conhecido como “rei dos frangos”. Ambos estavam, esta quarta-feira, a ser alvos de buscas por parte do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Em causa estão suspeitas de crimes de burla qualificada ao Fundo de Resolução bancária e ainda crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, segundo o “Nascer do Sol”.

Contactado pelo Jornal Económico, José António dos Santos confirmou as buscas. “Confirmo a realização das buscas”, revelando que as diligências estão a decorrer na empresa Avibom em Vila Facaia, distrito de Leiria. O empresário encontrava-se no Algarve e já se encontra a caminho de Lisboa.

As suspeitas

Em causa estão suspeitas de crimes de burla qualificada ao Fundo de Resolução bancária e ainda crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. A operação está a ser levada a cabo por mais de uma centena de agentes da PSP e da Inspeção Tributária (IT).

A operação está a ser levada a cabo por mais de uma centena de agentes da PSP e da Inspeção Tributária (IT) e as buscas estão a ser realizadas às instalações do Benfica, à sede do Novo Banco (de que o presidente do clube foi um dos grandes devedores, ainda no tempo do antecessor desta instituição financeira, o Banco Espírito Santo – BES) e a empresas ligadas ao empresário José António dos Santos (conhecido por “O Rei dos Frangos”).

O presidente dos encarnados é também suspeito do crime de abuso de confiança referente a ganhos milionários que obteve na venda de 25% do capital do Benfica SAD a um empresário estrangeiro.

A investigação tem origem no processo Monte Branco, a conhecida rede Suíça de fraude fiscal branqueamento de capitais que operava em Portugal e foi desmantelada em 2011.

Esta operação ocorre três dias depois de o clube encarnado ter lançado uma nova emissão obrigacionista para arrecadar 35 milhões de euros.

“Poderá subscrever Obrigações Benfica SAD 2021-2024, com valor nominal unitário de 5 euros e taxa de juro fixa de 4% ao ano (TANB: Taxa Anual Nominal Bruta) através da Oferta Pública de Subscrição (“OPS”) dirigida ao público em geral”, diz em comunicado.

O preço de subscrição por cada obrigação é de cinco euros, com um investimento mínimo de dois mil euros, o que corresponde a 400 obrigações. O prazo de subscrição termina às 15h no próximo dia 23 de julho de 2021.

Esta não é a primeira vez que o Benfica recorre a empréstimos obrigacionistas com vista a reduzir a sua exposição a empréstimos junto da banca. Atualmente há uma dessas emissões a atingir a maturidade. As obrigações emitidas em 2018 e têm agora de serem reembolsadas, embora parte já o tenha sido antecipadamente.

Em dezembro de 2019, a SAD avançou com um reembolso parcial na ordem dos 25 milhões. Essas obrigações pagavam um juro de 4% e, na altura, o Benfica financiou-se em 45 milhões de euros.

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