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Lúpus afeta 10 mil portugueses

Publicado por Adília Vieira em 10 de Maio de 2019 | 14:27

Lúpus afeta 10 mil portugueses. Os sintomas de uma doença sem cura que obrigou Selena Gomez a ser transplantada

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Hábitos saudáveis como não fumar, ter uma alimentação saudável, praticar exercício físico e evitar ambientes poluídos são essenciais para controlar esta doença autoimune e cuja origem ainda é desconhecida, explica António Marinho, médico da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. Hoje é o Dia Mundial do Lúpus.

A cantora norte-americana Selena Gomez fez em setembro de 2017 um transplante renal devido ao agravamento do seu estado de saúde. A artista sofre de Lúpus Eritematoso Sistémico (LES), uma doença autoimune, multisistémica e com manifestações muito variadas que não tem cura.

“Esta patologia afeta o sistema imune – constituído por células como os linfócitos e mediadores como os anticorpos – que normalmente protegem o nosso corpo. Por ser uma doença autoimune, esta doença provoca uma reação adversa no sistema imunitário, provocando a inflamação e alteração da função do órgão afetado. A inflamação pode provocar dor, calor, vermelhidão (ou rubor) e inchaço (ou edema)”, diz António Marinho, médico especialista em Medicina Interna.

Cerca de 10 mil portugueses têm lúpus, uma patologia que afeta principalmente mulheres, segundo números estimados por especialistas médicos, apesar de não haver um registo nacional unificado.

Sem causa conhecida

Não existe uma causa conhecida e o lúpus não tem cura. É uma doença crónica, ainda que existam fases de remissão. Pode afetar muitos órgãos e sistemas diferentes (daí a denominação sistémica), em especial a pele e articulações, e podem existir sob diversas formas que variam de doente para doente e de período para período.

António Marinho, da Unidade de Doenças Autoimunes do Hospital Santo António no Centro Hospitalar do Porto, realça que estas medidas em conjunto com a evitação da exposição solar, a proteção solar adequada, e a toma correta da medicação são as pedras angulares da terapêutica contra esta doença.

O especialista explica ainda que apesar da medicação para o LES ser atualmente muito diversificada e complexa, muitas das falhas terapêuticas se devem à baixa implementação de hábitos de vida saudáveis aliados ao incumprimento terapêutico de medidas básicas, como a toma de suplementos de vitamina D e de hidroxicloroquina.

Os sintomas

“Incluem a erupção cutânea na face, nas bochechas, com a típica distribuição em asas de borboleta, a inflamação das articulações, a alopecia (queda de cabelo), as aftas, a fotossensibilidade e múltiplos tipos de afeção cutânea relacionadas muitas vezes com a exposição solar. O envolvimento de órgãos internos é na maioria dos casos detetado pelo conjunto de dados obtidos através de uma história clínica e exame físico cuidadosos e simples testes laboratoriais que estão disponíveis na maioria dos laboratórios”, refere António Marinho.

No entanto “as manifestações da doença podem surgir ao longo do tempo e por vezes só é possível ter a certeza do diagnóstico após algum tempo de seguimento”, alerta o médico internista.

Segundo António Marinho, o objetivo do tratamento é manter a doença inativa, prevenir as recidivas e minimizar o dano permanente que a doença pode causar, realçando novamente que as terapêuticas para as formas graves, como os corticoides, imunossupressores e biológicos, também provocam dano e a lógica da sua utilização implica o bom cumprimento das medidas já referidas.


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