Marco Rodrigues: um fadista do roque

Autor: Adília Vieira | 7 de Junho de 2021

O fadista mais tradicional, com toda a gente em silêncio à sua volta, já foi a imagem de Marco Rodrigues. Mas agora não é bem assim. Ou, aliás, até pode ser, mas, entretanto, o fadista foi abrindo portas, apertando mãos a outras parcerias e eis que, ao sexto disco, resolve atirar-se para o palco para ser do rock. Pedimos desculpa. Para ser do roque. Assim é que é. O single de avanço, “Eu Sou do Roque” esta aí, pronto para ser ouvido. Falta o álbum, que começou a ser trabalhado há dois anos, está pronto, só falta definir a data de lançamento. Não “se deixe é enganar pelo fato de gala” de Marco Rodrigues. Ele continua igual. Do fado. Do Roque (sem “ck”, se faz favor). Do que vier que é bem vindo.

“Neste novo single não fui para lado nenhum, não fiz experiências. Adoro cantar personagens, sejam contemporâneas ou fictícias. Sou fadista, mas tenho influências do rock, da música brasileira ou dos blues. Gosto de me sentir confortável em qualquer sítio”, diz em conversa com o Observador. Marco Rodrigues está a caminho do sexto álbum e, mesmo com todas as incertezas que a pandemia da Covid-19 trouxe, o fadista não muda uma linha do percurso: sabe o que é, que linguagem quer cantar, mas quer continuar a explorar outros géneros ao lado de quem admira. Carlão, Carlos do Carmo, Mafalda Arnauth ou Maria Gadú são só alguns dos nomes com quem já colaborou. Desta vez, foi para o género onde se costuma fazer mais barulho. E que mal tem isso? Nenhum. “Nunca tive complexos em pedir a pessoas que não fazem parte da minha linguagem para construirem algo, depois eu, enquanto fadista, é que dou a minha interpretação”, refere.

Ora, o novo single “Eu Sou do Roque” foi lançado recentemente com letra de David Fonseca, arranjo de Tiago Machado e com teledisco realizado por Cláudia Pascoal. Conta a história de um jovem fadista que quer impressionar uma rapariga que não tem grande entusiasmo pelo fado. História igual a tantas outras, meio leve, meio profunda, onde, assim que o protagonista (um improvisado ator Marco Fadista) resolve criar uma banda de rock, desliga-se do fado e conquista o coração do amor predileto. Pois bem, mas aquilo ao rapaz já nada lhe diz. Adeus namoro, adeus coração. “É muito bom mudarmos coisas da nossa vida, mas nunca em função dos outros, temos de perceber o que queremos”, diz.

E o que Marco Rodrigues quis com este novo single foi andar pelo rock português e pelos bailaricos, contando uma história com uma “letra fotográfica” muito forte. Mas também distante do típico teledisco sério, mais pesado, que costuma estar espelhado no fado. Para isso, mais uma parceria criada, desta vez com Cláudia Pascoal, dona “de uma cabeça com loucura saudável”. “Foi um desafio fazer este teledisco, até agora o ambiente era muito mais sério porque faz parte da linguagem do fado. Mas a Cláudia tem um talento enorme, só ela é que fazia sentido fazer um vídeo destes. Conseguiu tirar de mim uma parte mais aparvalhada de ator”, conta.

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