Máscaras: 9 milhões de euros para ex-candidato PS

Autor: Vítor Santos | 7 de Maio de 2020

Depois de uma semana de polémica com as adjudicações de milhões de euros em material de proteção individual sem que houvesse contratos publicados, o Governo – tal como prometido – começou a disponibilizar os documentos de suporte em falta. Um dos casos mais falados foi a adjudicação de nove milhões de euros que a Direção Geral de Saúde (DGS) fez à Quilaban, a empresa de João Cordeiro, ex presidente da Associação Nacional de Farmácias e ex-candidato do PS à Câmara de Cascais.

O documento mostra que a encomenda de €9.030.000 refere-se a um milhão de máscaras cirúrgicas tipo II (a 54 cêntimos cada) e a três milhões de máscaras respiradores FFP2 (a €2,83 cada). Estas últimas foram feitas em Anqing pela empresa Anqing Hualei textile material Co., Ltd.

As máscaras cirúrgicas tipo II (um milhão de exemplares), que são as mais populares e vendidas no mercado para o grande público, foram fabricadas em Wuhan, a cidade onde começou o surto do novo coronavírus. O fabricante é a Raytex.

Num artigo da SÁBADO desta semana, já nas bancas, João Cordeiro fala destes contratos milionários obtidos com o Estado, embora nunca refira a proveniência do material.

Outro contrato milionário do Estado foi com a Luz Saúde (através da subsidiária GLSMED Trade). O grupo privado de saúde, que explora por exemplo o Hospital da Luz, em Lisboa, é detido por acionistas chineses (Fosun). O material no valor de 13,8 milhões de euros é composto por 20 milhões de máscaras cirúrgicas (49 cêntimos cada) e 400 mil testes (€10 cada). Todo o material foi feito pela própria Fosun, em Xangai, como se lê no documento. O mesmo acontece com outros contratos milionários do Estado com o grupo Luz Saúde.

Algumas adjudicações ainda carecem de documentação, como a de 4,8 milhões de euros à FHC Farmacêutica, ou a de 7,7 milhões de euros novamente à FHC Farmacêutica.

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