Ministra da Saúde perdeu toda a credibilidade

Ordem dos Médicos diz que ministra da Saúde perdeu toda a credibilidade e que os clínicos saberão dar resposta à atitude totalmente inaceitável

Marta Temido
Autor: Vítor Santos | 25 de Novembro de 2021

A Ordem dos Médicos considerou hoje “inqualificáveis” as declarações da ministra da Saúde sobre a solução para a falta de médicos, afirmando que “perdeu toda a credibilidade” e que os clínicos saberão dar resposta à “atitude totalmente inaceitável”.

Marta Temido, afirmou na quarta-feira numa audição na comissão parlamentar de Saúde sobre “Dificuldades que o Centro Hospitalar de Setúbal está a enfrentar”, requerida pelo PCP, que é preciso pensar “nas expectativas e na seleção destes profissionais”.

“Também é bom que todos nós, enquanto sociedade, e isto envolve várias áreas, pensemos nas expectativas e na seleção destes profissionais, porque porventura outros aspetos como a resiliência, são aspetos tão importantes como a sua competência técnica. Estas são profissões, de facto, que exigem uma grande capacidade de resistência, de enfrentar a pressão e o desgaste e temos que investir nisso”, disse Marta Temido.

Em comunicado, a Ordem dos Médicos (OM) afirma que “ouviu com consternação” a intervenção da ministra da Saúde, afirmando que “não dignifica o lugar que ocupa”.

Para o bastonário da OM, Miguel Guimarães, citado no comunicado, “as declarações proferidas sobre a solução para a falta de médicos, bem como as acusações que faz aos clínicos, em particular aos de Setúbal, são inqualificáveis e impróprias para uma figura de estado que está à frente de uma área central para a vida dos portugueses”.

Perante a Comissão Parlamentar da Saúde, salienta Miguel Guimarães, a ministra da Saúde “recusou, uma vez mais, reconhecer que a carência de médicos no Serviço Nacional de Saúde se deve à incapacidade que a titular da pasta da Saúde tem tido de criar condições de carreira e de trabalho que motivem os médicos a ficar no serviço público”.

“Mais grave, a ministra acusou os médicos de não serem resilientes – numa atitude falsa e provocatória que não dignifica o lugar que ocupa e que é sempre profundamente injusta, ainda mais com as provas dadas nos últimos dois anos de dedicação extrema e superação perante a maior pandemia da história recente”, criticou.

O bastonário realça ainda que “os médicos de Portugal fizeram mais com menos, salvaram milhares de vidas, fizeram muitos milhões de horas extraordinárias, foram um exemplo na forma como cuidaram, trataram e protegeram os doentes e no combate à pandemia. Os números mostram uma capacidade de resiliência invulgar elogiada a nível nacional e internacional”.

Para Miguel Guimarães, a ministra da Saúde “perdeu toda a credibilidade”, frisando que com esta atitude “está a prejudicar de forma grave os doentes”, o que considerou “imperdoável”.

A OM critica ainda as declarações de Marta Temido relativas aos médicos do Centro Hospitalar de Setúbal, que têm denunciado a falta de condições na unidade, “ousando mesmo dizer que ‘a melhor forma de atrair recursos humanos é conquistá-los para projetos de trabalho e não passar uma imagem, ou intensificar uma imagem, de que a instituição vive enormes dificuldades e num clima de confronto’”.

Para o bastonário, “esta atitude da ministra, de permanente desvalorização dos alertas dos médicos, chegando mesmo a roçar o insulto a quem sofre no terreno com a falta de condições criada pelo poder político, é própria de quem nada percebe de gestão de recursos humanos, de empatia e de respeito pelas pessoas”.

Avisa ainda que “os médicos saberão dar a resposta a esta atitude totalmente inaceitável”.

Também Marcelo Já reagiu às declarações de Marta Temido

ministra da Saúde tem sido altamente criticada por ter defendido que é necessário contratar profissionais de saúde mais resilientes. Questionado sobre o assunto, o Presidente da República disse não querer comentar, mas acabou por reiterar que “se há característica que os profissionais de saúde demonstraram, além da devoção e competência, é a resiliência”.

“A minha sensação, que tenho a certeza que é sensação de todos os portugueses, e do Governo e Parlamento, é que se há característica que os profissionais de saúde demonstraram, além da devoção e competência, é a resiliência”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações transmitidas pelas televisões.

O Presidente ressalvou, ainda assim, que o Governo “reconheceu isso várias vezes”. “Não perco um minuto com querelas sobre aquilo que não existe”, atirou Marcelo, defendendo que, “na cabeça de todos os portugueses, Governo, ministros, secretários de Estado, deputados, Presidente, está isto: os profissionais de saúde são resistentes”.

Olhando para as prioridades no campo da saúde, Marcelo defendeu que é necessário “enfrentar a vacinação, acelerando, fazer face àquilo que ainda há de efeitos da pandemia e investir para que o SNS possa enfrentar a recuperação daquilo que ficou para trás e já começou a ser recuperado”, nomeadamente em consultas, cirurgias e atendimentos.

Leia também