Moedas diz a Rio que não está sozinho

Moedas pede união e inconformismo e diz a Rio que não está sozinho. Montenegro pede a Rio que faça a Costa o mesmo que fez com ele

Carlos Moedas - PSD
Autor: Vítor Santos | 18 de Dezembro de 2021

O antigo líder parlamentar do PSD Luís Montenegro pediu hoje a Rui Rio que use com António Costa da mesma eficácia que teve com os seus adversários internos e vença as legislativas de 30 de janeiro.

Numa intervenção perante o 39.º Congresso do PSD, que terminou com um aplauso de pé, Montenegro admitiu concordar com Rui Rio de que o PSD poderá viabilizar Governos minoritários do PS, desde que António Costa também assegure o inverso.

“Eu queria-lhe dizer dr. Rui Rio, você já demonstrou cá dentro que consegue ser eficaz e aproveitar as oportunidades para ganhar eleições diretas. E eu que o diga e que o diga também o Paulo Rangel, a quem envio uma saudação amiga”, afirmou, referindo-se à condição de ambos de candidatos à liderança do PSD derrotados pelo atual presidente.

Por isso, apelou: “queremos que faça o mesmo ao dr. António Costa e ao PS”.

“Tem um partido todo consigo, vá em frente, Portugal precisa de nós, Portugal precisa de si”, afirmou.

Luís Montenegro desafiou ainda Rio a fazer o que chamou de “teste do algodão” a António Costa – de quem disse estar disponível para “fazer o frete” de governar mais dois anos, antes de se candidatar a Presidente da República.

“Esta é a questão central: se o PSD ganhar as próximas eleições e se o PSD formar governo sem maioria absoluta, está o PS disponível para viabilizar dois primeiros orçamentos do Estado?”, questionou.

Montenegro disse que até concorda com a disponibilidade já manifestada por Rio de viabilizar um eventual governo minoritário do PS, mas apenas com uma condição.

“O PS e António Costa têm de dizer antes das eleições que farão o mesmo connosco”, afirmou, considerando que, se assim não for, os eleitores de centro poderão achar que “é mais seguro” votar nos socialistas.

Rangel compromete-se a dar todo o apoio a Rio nas legislativas

O candidato derrotado à liderança do PSD, Paulo Rangel, considerou que as eleições internas “não enfraqueceram”, mas reforçaram o partido, comprometendo-se a dar todo o apoio a Rui Rio para “dizer basta de PS” nas próximas eleições.

“Ao contrário do que muitos diziam, as eleições internas não enfraqueceram nem debilitaram o PSD. As eleições internas reforçaram, credibilizaram e legitimaram o PSD e a sua liderança como a única e verdadeira alternativa ao PS e ao seu Governo de estagnação e impasse”, disse Paulo Rangel na sua intervenção no 39.º Congresso Nacional do PSD.

Aceitando “os resultados renhidos, mas claros” que ditaram a sua derrota, o eurodeputado do PSD assumiu um compromisso: “sem abdicar das minhas convicções, disponível para servir Portugal, os portugueses e o PSD, no presente e no futuro como sempre estive no passado, dou e darei todo o meu apoio ao partido e ao presidente nesta pré-campanha e em toda a campanha eleitoral”.

“O projeto do PS e do seu líder exauriu-se, esgotou-se, apagou-se”, defendeu, considerando que está na hora de dizer “basta de PS” e de “gerar uma alternativa forte, galvanizadora, capaz de devolver esperança aos portugueses”.

Moedas pede união e inconformismo e diz a Rio que não está sozinho

 O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, pediu hoje ao PSD que vá para as legislativas unido e com um “inconformismo moderado”, sem extremistas, e disse a Rui Rio que “não está sozinho”.

Carlos Moedas discursou hoje perante o 39.º Congresso do PSD e recebeu a primeira grande ovação da sala do Europarque, que finalmente quase encheu ao fim de um dia de trabalhos.

“As pessoas estão desiludidas com aqueles que querem o poder pelo poder. Só votarão em nós se estivermos unidos. Porque só unidos geramos confiança”, defendeu, agradecendo quer a Rui Rio a confiança que sempre teve em si, quer a Paulo Rangel por “tudo o que fez” por si desde a primeira hora.

Este agradecimento aos dois protagonistas das últimas diretas mereceu dos primeiros gritos “PSD, PSD” que se ouviram desde o arranque da reunião, na sexta-feira à noite.

No entanto, o antigo secretário de Estado de Passos Coelho – outro nome que mereceu muitos aplausos do Congresso – avisou que “a união não é suficiente”.

“Temos que ser concretos e inconformados contra um poder que anestesia o país. Ser um inconformista moderado é vencer sem alianças com os extremos”, disse, num recado implícito sobre a recusa entendimentos eleitorais com o Chega, que excluiu da coligação “Novos Tempos” que venceu as autárquicas.

Moedas apelou ao partido que corra o risco “de querer mudar” e citou Rui Rio, que já disse que sozinho é impossível fazer reformas”.

“E tem toda a razão. Mas Rui Rio, quero aqui dizer-lhe, alto e bom som, que não está sozinho. Tem um partido inteiro atrás de si. Tem um país ávido de mudança consigo”, afirmou.

Moedas disse que, com Rio, estão também “os quase três milhões de votos do professor Cavaco Silva, em 1991” e “os mais de dois milhões de votos de Pedro Passos Coelho, em 2011”, bem como “os dois milhões e meio de votos do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, este ano”.

“Estamos prontos ou não estamos prontos? Assim como mudamos Lisboa vamos mudar o país”, apelou, recebendo nova ovação de pé do Congresso.

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