Museu de Arte Antiga exibe pintura do século XVII

Museu de Arte Antiga exibe pintura do século XVII, Martírio de São João Damasceno, de Luigi Miradori, artista destacado do barroco lombardo

Museu Arte Antiga
Autor: Adília Vieira | 19 de Janeiro de 2022

A pintura do século XVII “Martírio de São João Damasceno”, de Luigi Miradori, artista destacado do barroco lombardo, vai ser exibida no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, a partir de 27 de janeiro.

Trata-se da segunda obra exibida no âmbito do “O Belo, a Sedução e a Partilha”, projeto museográfico conjunto do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e a Fundação Gaudium Magnum – Maria e João Cortez de Lobão (FGM), e ficará em exposição até 10 de abril, anunciou hoje a organização.

Este óleo sobre tela de Luigi Miradori, dito Il Genovesino, nascido em Génova, Itália, cerca de 1605, e falecido em Cremona, em 1656, representa o Martírio de São João Damasceno, e data de 1645-1650, ficando em exibição na Galeria de Pintura Europeia do MNAA.

A obra pertence à fase mais criativa deste pintor – uma época em que a influência da pintura espanhola se fazia sentir em toda a região da Lombardia – que veio a falecer em 1656, em Cremona, “a cidade que o acolheu e lhe deu todas as possibilidades de se afirmar como um grande pintor do barroco lombardo”, indica o museu num comunicado sobre a pintura.

“Numa cidade sem grande concorrência, tornou-se rapidamente o mais distinguido e requisitado pintor, beneficiando do patronato do governador espanhol da cidade, Don Álvaro de Quiñones, que não só lhe deu proteção, como lhe abriu as portas da sua importante coleção de arte”, levando a que apreendesse rapidamente modelos e soluções de mestres espanhóis ali representados.

O autorretrato que se vê na pintura, no grupo de figuras à esquerda, mostra o pintor mais ou menos com a mesma idade com que se pintou na enorme tela da “Multiplicação dos Pães e dos Peixes”, do Palácio Comunal de Cremona, assinada e datada de 1647.

“A ampla cenografia arquitetónica da pintura recorda outras obras do mesmo período, como a Ceia, do mesmo Palácio, o ‘Milagre da Virgem em S. João Damasceno’ da igreja de S. Clemente (1648) ou o ‘Repouso na Fuga para o Egipto de Sant’Imerio de Cremona’ (1651), e de cromatismo muito próximo, nos diluídos fundos azulados e na encenação do alongamento perspético”, descreve o MNAA.

O tema central do quadro “situa-se no segundo plano, mas o olhar para a cena é captado tanto pela sua centralidade topográfica e pela incidência da luz, como pelo enquadramento na cenográfica arquitetura que divide os planos e tem continuidade nos esfumados edifícios do fundo da pintura” dedicada a São João Damasceno 675-749), que pregou e escreveu em defesa do culto da Virgem e das imagens.

A Fundação Gaudium Magnum – Maria e João Cortez de Lobão existe desde 2018, tendo como missão “enaltecer Portugal, a língua portuguesa, a sua cultura e as suas gentes”, apostando em quatro eixos estratégicos: cultura, educação, beneficência e investigação.

Na área cultural, e em particular a coleção de arte, reúne um espólio de peças centrada nos mestres antigos de pintura, com uma forte componente de autores portugueses.

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