Padre com comportamentos bizarros

Ameaças de morte e olhares catatónicos. Padre afastado por suspeita de violação é conhecido por comportamentos bizarros

O padre violador
Autor: Horta e Costa | 2 de Agosto de 2022

O padre afastado pelo Patriarcado de Lisboa por suspeitas de violação já vinha somando comportamentos bizarros desde que passou pela paróquia de Santa Maria dos Olivais, em Lisboa, nos anos 90. Sacerdote chegou a alertar que seria vítima de um ataque à bomba, mas a ameaça terá sido escrita pelo próprio.

O padre afastado esta segunda-feira pelo Patriarcado de Lisboa por suspeitas de uma violação destacou-se onde passou por comportamentos fora do comum, escreve o Expresso.

Segundo alguns dos seus ex-colegas, quando esteve na paróquia de Santa Maria dos Olivais, em Lisboa, o pároco por mais do que uma vez disse ser alvo de ameaças de morte, chegando a revelar bilhetes datilografados a dizer que lhe queriam meter uma bomba no carro.

O caso envolveu a polícia, mas foi descoberto que os bilhetes vieram da própria paróquia, já que o tipo de letra das notas era o mesmo da máquina de escrever presente em Santa Maria dos Olivais. “Era o padre que se ‘ameaçava a si próprio’”, contou uma pessoa ao semanário.

Noutra ocasião, alegou durante uma missa que a prostituição era o maior problema da comunidade local, algo que apanhou todos os presentes de surpresa. Além disso, também teve interações atípicas com algumas pessoas. “Quando se cruzava com algumas jovens ficava tipo catatónico a olhar para elas”, diz uma pessoa que se cruzou com ele ao Expresso.

Tais comportamentos levantaram a suspeita de que o padre poderia ter problemas psicológicos. “Há muito tempo que a hierarquia da Igreja sabe bem que este homem não é equilibrado”, disse ao semanário uma pessoa que coexistiu com o padre na paróquia dos Olivais.

No entanto, apesar de ter deixado os Olivais, o padre mantinha-se em atividade até este ano, na capelania do hospital de Alcoitão, em Cascais.

Foi neste concelho onde, alegadamente, o sacerdote terá violado uma mulher com quem já mantinha relações um caso amoroso e que já conhecia há mais de duas décadas. À CNN, a vítima disse que começaram a encontrar-se no final de 2021, mas em junho deste ano o padre ter-la-á obrigado a ter relações sexuais. Consumado o ato, terá pedido à vítima para não revelar o caso, chegando até a oferecer dinheiro para comprar o seu silêncio.

Ontem, o Patriarcado de Lisboa revelou ter afastado um padre por suspeitas de violação. “O Patriarcado de Lisboa recebeu uma denúncia relativa a um possível crime de violação praticado por um sacerdote diocesano”, lê-se na nota publicada no website oficial da instituição, tendo decidido “dar início aos procedimentos canónicos previstos para este tipo de casos” e afastar “o padre de todas as suas funções até ao apuramento dos factos.

Segundo o Patriarcado de Lisboa o caso “foi comunicado às autoridades civis competentes”, sendo que “não se enquadra no âmbito da Comissão de Proteção de Menores”, ou seja, a vítima não terá sido menor de idade. Tanto a vítima como o sacerdote foram ouvidos.

“O Patriarcado de Lisboa está totalmente disponível para colaborar com todas as autoridades competentes, tendo sempre como prioridade o apuramento da verdade e o acompanhamento das vítimas”, termina o comunicado.

A Igreja Católica portuguesa encontra-se neste momento no seio de uma controvérsia devido a uma notícia do jornal Observador, que deu conta de um caso referente a 1999 em que o atual cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, “teve conhecimento de uma denúncia de abusos sexuais de menores relativa a um sacerdote do Patriarcado e chegou mesmo a encontrar-se pessoalmente com a vítima, mas optou por não comunicar o caso às autoridades civis e por manter o padre no ativo com funções de capelania”.

“Além disso, o sacerdote continuou a gerir uma associação privada onde acolhe famílias, jovens e crianças, com o conhecimento de D. Manuel Clemente. Tudo, porque, justifica o próprio Patriarcado ao Observador, a vítima, que alega ter sofrido os abusos na década de 1990, não quis que o seu caso fosse público e queria apenas que os abusos não se repetissem”, noticiou o jornal.

De acordo com a investigação do Observador, a atuação do patriarca “contraria (…) as atuais normas internas da Igreja Católica para este tipo de situações, que determinam a comunicação às autoridades civis de todos os casos”, adiantando que “os dados sobre este caso em concreto contam-se entre as mais de 300 denúncias já recebidas pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa — e o nome deste sacerdote é também um dos sete que já se encontram nas mãos da Polícia Judiciária para serem investigados”.

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