Pagamos 60% de imposto sobre combustíveis

Publicado por Horta e Costa em 22 de Maio de 2018 | 19:20

Os preços em bomba não param de subir e estão ao nível de 2013 e 2014, quando o barril do petróleo superava os 100 dólares…. [ ]

Os preços em bomba não param de subir e estão ao nível de 2013 e 2014, quando o barril do petróleo superava os 100 dólares. Atualmente, o Brent não chega aos 80 dólares. O mercado parece funcionar ao contrário. E os impostos representam mais de metade do preço de venda ao público.

Com tanta semana consecutiva, é inevitável reparar que há mais de dois meses que o preço dos combustíveis não pára de subir.

Desde segunda-feira já são nove semanas consecutivas. E o aumento foi de dois cêntimos. A explicação é sempre a mesma: “a evolução das cotações em euros aponta para uma subida dos preços para ambos os produtos”, fim de citação.

Mas como é que isso é possível? O preço dos combustíveis sobe ao mesmo tempo que a cotação do petróleo desce… faz sentido?

Contextualizemos: à hora em que fizemos este episódio, a cotação do barril Brent, referência para Portugal, estava nos 78,17 dólares. Em julho de 2014 rondava os 107 dólares, e a gasolina custa agora 1,60 euros por litro, tanto como há quatro anos.

E o mesmo acontece com o gasóleo: está a custar 1,45 euros, o mesmo que em abril de 2013. E nessa altura, o preço do crude rondava os 103 dólares.

A matéria prima é a variável que mais interfere no preço dos combustíveis. Ou pelo menos, faria sentido que assim fosse.

Mas a experiência com oscilações de preços dos combustíveis já nos ensinou (ou devia ter ensinado) que a cotação do crude desce sempre mais rápido do que o preço de venda ao público. Isto, se descer.

A isto acrescem os impostos. Fomos consultar o boletim diário sobre preços de combustíveis de 18 de maio, ainda antes da mais recente atualização.

Os valores já não correspondem, mas ajudam a compreender a formação de preços.

Na gasolina começamos nos 50 cêntimos de preço do produto final sem taxas, adicione 0,019 pela incorporação de biocombustível, mais 0,006 cêntimos por descarga, armazenagem e reservas. Depois entram os impostos: 66 cêntimos de Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) + 27 cêntimos de IVA. E aí está o preço de referência: 1,45 euros. Para chegar ao PVP deve somar 13 cêntimos relacionados com distribuição para os postos de venda e as margens de comercialização.

É sempre a somar. Os impostos representam 63% do preço de venda ao público da gasolina.

No caso do gasóleo é um pouco menos (55%), mas a formação do preço segue os mesmos passos. E chega a ser curioso que o preço por litro sem impostos é mais caro do que o da gasolina, cerca de 52 cêntimos. A diferença está no IVA e no ISP que é mais penalizador para a gasolina, apesar do gasóleo ser mais poluente.

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