Palhaçada na Assembleia da República

Publicado por Horta e Costa em 24 de Março de 2020 | 20:12

Rui Rio abandona hemiciclo durante o debate quinzenal no Parlamento como exemplo e protesto relativamente à sua própria bancada

O líder do PSD abandonou o hemiciclo, durante o debate quinzenal no Parlamento, esta terça-feira, como exemplo e protesto relativamente à sua própria bancada.

Rui Rio nem tinha feito a intervenção pelo PSD no debate quinzenal, que coube ao deputado Ricardo Baptista Leite, o qual começou precisamente por dizer que o plenário na Assembleia da República não deveria estar reunido, mas apenas a Comissão Permanente, e que estava a colocar em risco “a segunda e terceira figuras do Estado”, presidente da Assembleia e primeiro-ministro, respetivamente.

Apesar de Ricardo Batista Leite se ter dirigido a António Costa, a resposta não veio do primeiro-ministro mas sim do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

“Temos de dar o exemplo. Não podemos esquecer que há milhões de trabalhadores que estão todos os dias a sacrificar-se para que eu, o senhor e as nossas famílias possam comer e ter uma vida minimamente normal em matéria de segurança”, disse recolhendo aplausos da ala esquerda do Parlamento.

A isso Baptista Leite respondeu que, neste caso, quer o presidente da Assembleia quer a maioria estavam errados.

“Senhor deputado, resolvemos ontem que os grupos parlamentares deveriam ter um quinto dos deputados na sala. Sabe quantos deputados o PSD devia ter? 18. Sabe quantos tem? 36. Lamento, mas isso não é responsabilidade do presidente, é da vossa bancada”, insistiu depois Ferro Rodrigues em nova intervenção.

O líder do PSD pediu então a palavra para dizer que concordava com o seu deputado, mas também com o presidente da Assembleia.

“O PSD tem um conjunto de deputados que estão aqui e não deviam estar. Eu vou ser o primeiro a sair para dar o exemplo”, disse antes de abandonar o hemiciclo.

No final do debate quinzenal, Rio Rio explicou aos jornalistas a sua decisão. “Se não saem eles, saio eu (…) Tenho de dar o exemplo aos meus deputados, mesmo discordado do que a Conferência de Líderes decidiu”, disse.

Rio reiterou que o PSD “discorda completamente” que se mantenha em funcionamento o plenário da Assembleia da República, tendo o partido defendido nas duas últimas conferências de líderes – a par do CDS – que funcionasse apenas a Comissão Permanente, órgão que funciona habitualmente nas férias e com menos deputados.

A Assembleia da República deve dar o exemplo, defendeu o líder do PSD. “Não podemos ter um comportamento diferente do que estamos a exigir ao povo português. Tanto me faz que seja dos outros grupos parlamentares como do meu, é assim que de deve ser, é assim que devemos dar o exemplo”, defendeu.

Rui Rio optou por não responder às questões dos jornalistas relacionadas com a desobediência às indicações da Conferência de Líderes, remetendo essa pergunta para cada um dos deputados hoje presentes. No entanto, assumiu que era do conhecimento dos deputados sociais democratas a lista dos que deviam, ou não, marcar presença no debate.

Foi distribuído aos jornalistas um email, ao qual a Agência Lusa teve acesso, enviado na segunda-feira aos deputados do PSD pelo gabinete de Rui Rio que indicava quais os 16 deputados que deveriam assegurar esse quórum de funcionamento, e que incluía os membros da direção da bancada, do partido e os representantes na Mesa.

No email enviado à bancada do PSD, os 16 deputados a quem cabia assegurar a presença permanente hoje no plenário eram: Adão Silva, Afonso Oliveira, André Coelho Lima, Carlos Peixoto, Catarina Rocha Ferreira, Clara Marques Mendes, Duarte Pacheco, Helga Correia, Hugo Carneiro, Isabel Meirelles, Isaura Morais, José Silvano, Lina Lopes, Luis Leite Ramos, Ricardo Baptista Leite e Rui Rio, mas estiveram muitos outros quer eleitos pelo círculo de Lisboa, quer de fora da capital.

No entanto, na mensagem enviada aos deputados não se ‘proibia’ a presença dos restantes, recomendando aos “que não estejam a faltar” que fossem ao plenário “apenas para registar a presença e, de seguida, sair, de molde a contribuir para que no plenário não estejam presentes mais de 46 deputados, garantindo o necessário espaço social”.

A mensagem de correio eletrónico referia ainda que “qualquer deputado pode, a qualquer momento, ser chamado ao plenário para substituir qualquer um dos 16 colegas que tenha tido necessidade de se ausentar”.

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