Pandemia à solta em Lisboa e Vale do Tejo

Publicado por Vítor Santos em 29 de Maio de 2020 | 15:30

Covid-19: Lisboa e Vale do Tejo tem 4.400 doentes ativos. A situação é complexa, descreve a diretora-geral da Saúde Graça Freitas

A diretora-geral da Saúde fez hoje um balanço da situação na região de Lisboa e Vale do Tejo. E alerta para a necessidade de manter o distanciamento: “nos últimos dias tem-se assistido em Lisboa a concentração de pessoas para lá do desejável”.

A região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo registou nas últimas 24 horas mais 323 infeções. Esta zona domina assim grande parte dos 350 novos casos que surgiram em Portugal até à meia-noite.

É uma “situação complexa”, com “várias e diversas causas”, explicou a diretora-geral da Saúde. Há surtos em fábricas, lares, obras e bairros, para além da circulação comunitária do vírus.

“Há surtos associados a diversas tipologias”, disse Graça Freitas, em resposta aos jornalistas.

“O padrão em Lisboa é de adultos jovens e nem todas as situações estão ligadas a empresas, muitas destas estão no seio da comunidade. Há uma tendência para aliviar o comportamento”.

“As pessoas jovens têm tendência a ter doença ligeira, mas isto não é uma constatação. E mesmo que eles tenham uma doença ligeira (…) podem transmitir [a doença] a grupos de risco, a pessoas mais idosas, aos seus familiares, pais, avós, tios e vão perpetuar a transmissão”, alertou, desincentivando aglomerados e ajuntamentos.

“Não pode continuar a tolerar-se comportamentos que ponham em risco a saúde pública”, afirmou, apelando à população jovem “que altere o seu comportamento”, mantendo o distanciamento e evitando ajuntamentos.

No caso dos trabalhadores, a diretora-geral da Saúde lembra que os empregadores “têm obrigações” às quais o ministério da Saúde não se pode substituir.

Sobre os centros comerciais, Graça Freitas remete a decisão para o Conselho de Ministros que esta sexta-feira decorre, mas explica que “o risco depende do comportamento”.

“Mesmo com os centros comerciais fechados, não se está a evitar grandes ajuntamentos noutros espaços”, afirmou, dando como exemplo os cafés e mesmo os espaços ao ar livre.

“Nos últimos dias tem-se assistido em Lisboa a concentração de pessoas acima do desejável”.

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, afirmou que é “natural” que os centros comerciais em Lisboa não abram já porque se tratam de espaços com “grande concentração de pessoas”.

Portugal regista hoje 1.383 mortes relacionadas com a covid-19, mais 14 do que na quinta-feira e 31.946 infetados, mais 350, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

Registam-se também 17 novos internamentos, o maior aumento de internados desde 7 de maio, e mais um internado em unidades de cuidados intensivos. Contabilizou-se ainda um aumento de 274 casos recuperados, fixando-se o total agora nos 18.911.

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