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Para o Brasil, campanha publicitária portuguesa é racista

Publicado por Vítor Santos em 3 de Fevereiro de 2019 | 20:58

A cerveja é portuguesa, a campanha com a frase, “Os portugueses são conquistadores”, era dirigida à África do Sul e a acusação de racismo veio do Brasil

Cerveja Quinas

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A Quinas é uma nova marca de cerveja portuguesa que aposta em mercados onde há fortes comunidades portuguesas, como França, Estados Unidos ou África do Sul. E foi a campanha de publicidade neste último mercado que provocou polémica e acusações de racismo, sobretudo por parte de brasileiros.

A cerveja Quinas chegou ao mercado no segundo semestre de 2018 pelas mãos do Domus Capital e a ambição da marca é assumida no site dos seus promotores: “A cerveja Quinas é a nova cerveja portuguesa que surge no mercado com a ambição de se tornar o terceiro player no mercado cervejeiro em Portugal”.

Além de Portugal, a marca aposta numa estratégia de internacionalização com foco na diáspora portuguesa. França, Estados Unidos e África do Sul foram três dos mercados identificados como prioritários – e foi por causa da campanha de estreia neste último país que a marca se vê envolvida numa polémica e em acusações de racismo.

A campanha de comunicação da Quinas intitula-se “Os Portugueses” e esse é o mote para um conjunto de peças de publicidade. “Os Portugueses são bons garfos” ou os “Portugueses são transparentes” são algumas das declinações já utilizadas.

“São infinitas as possibilidades a explorar em diferentes histórias, que farão sorrir o português, esteja ele onde estiver e criar uma relação empática com a marca, provocando emoções e associações que estimulam a preferência do consumidor e geram impressões memoráveis de proximidade com o público visado”, explicou a marca no comunicado em que divulgou a campanha criada pela agência Consultório .

No dia 25 de janeiro foi lançada uma nova peça, desta feita para anunciar a entrada no mercado da África do Sul. A imagem que serve de suporte é a de uma fotografia de um copo de cerveja visto de cima e em que a espuma desenha a forma do continente africano. E a assinatura retoma o mote da marca, desta vez com a seguinte frase: “Os portugueses são conquistadores. Gostam de deixar marca por onde passam”. No post da página da marca no Facebook lia-se: “Chegaremos à África do Sul para espalhar felicidade lusa. Encontra-nos em breve em vários pontos de venda, principalmente em restaurantes portugueses.”

O objetivo era África mas a campanha acabou por fazer ricochete do outro lado do Atlântico, no Brasil. E ao longo da semana, a página da marca encheu-se comentários, muitos de teor negativo e crítico – este domingo, dia 3 de fevereiro, o post com a imagem da campanha contava com mais de três mil comentários.

Alguns exemplos da forma como a marca foi interpelada podem ser lidas em posts que questionam ““Espalhar felicidade lusa” tá falando de sífilis ou corrupção generalizada?” ou “Vocês não tem nada do que se orgulhar em relação a seu passado colonialista e assassino. Pegou muito, muitíssimo mal essa publicidade”.

Aos comentários, a marca respondeu com um único comentário: “A QUINAS é uma marca portuguesa, jovem, positiva e que está a “conquistar” mercados internacionais com a entrada da cerveja nos diferentes países. E é nesse sentido que somos conquistadores. Falamos do presente e do futuro e não do passado. Caso pretenda mais detalhes estamos disponíveis por mensagem privada. Obrigado.”

A Domus Capital tem outras marcas no mercado de bebidas como a Vodca Nau, o licor Ginja do Paço, além de uma marca de azeite e outra de conservas.


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