Partidos arrasam ministro das Finanças

Publicado por Vítor Santos em 12 de Maio de 2020 | 20:25

Da esquerda à direita, partidos não poupam Centeno. Ministro assumiu que houve uma falha de comunicação na transferência de 850 milhões para o Novo Banco

A entrevista do ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, à TSF onde abordou a polémica sobre a transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco só mereceu críticas esta terça-feira. O governante assumiu que terá havido um atraso na comunicação ao primeiro-ministro sobre a decisão do seu ministério. O que obrigou António Costa a pedir desculpas ao Bloco de Esquerda por ter dado uma informação incorreta no Parlamento.

Costa, recorde-se, fez depender qualquer novo empréstimo ao Fundo de Resolução ( e por essa via uma injeção de capital no Novo Banco) da conclusão de uma auditoria. Que só chega em julho. Afinal, a transferência foi feita na passada quarta-feira, dia 6 de maio.

O PSD, pela voz de Duarte Pacheco, considerou que “algo  não vai bem” e que se “exige que o primeiro-ministro exerça a sua autoridade”, citado pela Lusa.

Quem também não ficou convencido foi o Bloco de Esquerda. Numa conferência de imprensa para falar de um orçamento suplementar que reforce o Serviço Nacional de Saúde, Catarina Martins, carregou nas tintas para criticar o ministro. “O problema é uma falha num compromisso político”, afirmou Catarina Martins, citada pela SIC- Notícias, aludindo ao compromisso assumido por Costa no Parlamento. Ou seja, não é uma falha de comunicação. “É bem mais grave do que isso”, afirmou. Do BE também veio outro ataque, o do eurodeputado José Gusmão. “Quando as falhas de comunicação são tantas, é impossível afastar a sensação de que a verdadeira falha é de política e não de comunicação.”, escreveu no Twitter.

Por seu turno, os comunistas registam a falta de articulação entre o ministro das Finanças e o primeiro-ministro e consideram-no “ um elemento grave, sobretudo quando contrastado  com as enormes dificuldades porque passam as micro, pequenas e médias empresas para aceder aos apoios públicos no quadro da covid-19”, conforme explica ao i o deputado do PCP, Duarte Alves.

Mas, há mais dois elementos, que para o PCP são da “maior gravidade”, além da falta de articulação. “O primeiro é a entrega de mais 850 milhões de euros  para o Novo Banco, sem que seja garantido o controlo público sobre o banco, e segundo, é o de que não sejam respeitados sequer os próprios critérios definidos pelo Governo”, isto é, a transferência só ser autorizada depois de conhecida a auditoria da Deloitte.

Em relação à proposta do BE,  o PCP frisa que terá de conhecer o projeto, mas Duarte Alves lembra que, em tese, os comunistas acolhem todas as medidas que se destinem a um maior controlo por parte da Assembleia da República Em todo o caso, o PCP insiste na sua proposta de sempre de controlo público do banco: “ Entendemos que não se deve continuar a enterrar  milhões dos portugueses no Novo Banco, sem que ele seja colocado ao serviço do País”.

O PAN, pela voz do seu porta-voz André Silva, também não foi parco em comentários. “O caso da transferência dos 850 Milhões de Euros para o Novo Banco à revelia do Primeiro-Ministro é uma crise artificial que Mário Centeno e António Costa têm interesse em alimentar”. Mais, “Mário Centeno ganhou o álibi que há meses procurava para poder sair do Ministério das Finanças e assumir o cargo de Governador do Banco de Portugal, algo que todo o país sabe que deseja há meses”, defendeu André Silva ao i. O PAN vai chamar, entretanto, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e o presidente do Novo Banco, António Ramalho. O objetivo é ouvi-los sobre contas e supervisão.

Do lado dos centristas, Cecília Meireles considera ao i que “o problema é muito mais profundo do que a descoordenação do Governo” e será mesmo “incompreensível”. Para a ex-líder parlamentar do CDS,  “o ministro das Finanças veio dizer que os contratos têm de ser cumpridos, mas na mesma altura em que diz que transfere 850 milhões de euros para o Novo Banco , porque os contratos têm de ser cumpridos, é a mesma altura em que nós sabemos, por exemplo, que dos 5 mil milhões de euros de linhas de créditos, que o primeiro-ministro diz que já estão aprovados,  apenas 8 por cento estão contratados e estão de facto nas empresas”.

Esta quarta-feira, Centeno estará no Parlamento e na quinta-feira há debate sobre o programa de estabilidade, mais dois momentos para Mário Centeno poder ser confrontado pelos deputados.

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