Pena de morte por posse de filmes estrangeiros

Autor: Vítor Santos | 7 de Junho de 2021

A Coreia do Norte aprovou uma nova lei que visa eliminar qualquer tipo de influência estrangeira, punindo severamente qualquer pessoa que seja apanhada com filmes, roupas ou até a utilizar linguagem estrangeira.

Yoon Mi-so, um norte-coreano agora a viver em Seul, conta que tinha apenas 11 anos quando assistiu à execução de um homem por ter sido apanhado com um filme sul-coreano e que todo o seu bairro teve ordem para assistir à execução. “Se não o fizéssemos, seria traição”, explica à BBC. As autoridades norte-coreanas garantiam assim que todos sabiam que a pena seria de morte para o crime de posse de vídeos ilícitos, uma realidade que parece estar de regresso. “Lembro-me bem do homem, que estava com os olhos vendados e ainda consigo visualizar as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto. Aquilo foi traumático para mim. A venda estava completamente encharcada de lágrimas”, recorda.

A vida na Coreia do Norte já é um estado de permanentes bloqueios, sem internet, sem redes sociais e com apenas alguns canais de televisão controlados pelo Estado e cheios de propaganda. Mas agora vai ficar ainda mais restritiva, depois de Kim Jong-Um ter introduzido uma nova lei contra aquilo que o regime considera ser “pensamento reacionário”.

Assim, a posse em larga escala de produtos multimédia oriundos da Coreia do Sul, Estados Unidos ou Japão, por exemplo, passa a ser punida com pena de morte e para aqueles que forem apanhados apenas a visualizar estes conteúdos a pena é de 15 anos de prisão.

Mas não são só os conteúdos que o líder norte-coreano quer controlar. Também a gíria ou os penteados e roupas de cariz estrangeiro passam a ser proibidos e são considerados “venenos perigosos”.

Especialistas citados pela BBC acreditam que este agravamento das regras se deve à tentativa de privar os norte-coreanos de informações externas, já que a vida no seu país está cada vez mais difícil. Acredita-se que milhões de pessoas estejam a passar fome na Coreia do Norte e Kim quer impedir que chegue à população qualquer noção de como é a vida para lá da fronteira, em Seul, uma das cidades mais ricas da Ásia.

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