População de Benavente indignada por agressão violenta

Publicado por Adília Vieira em 30 de Junho de 2020 | 19:24

Populares foram à Assembleia Municipal de Benavente mostrar indignação e exigir medidas perante a violenta agressão ao proprietário de um café

Paulo Rebocho foi atacado a soco e pontapé em pleno dia por um grupo de homens. Os agressores, de etnia cigana, todos residentes no concelho, estão sinalizados.

Uma desordem na esplanada do café Copos e Petiscos, em Benavente, levou um grupo a agredir violentamente o proprietário do estabelecimento, Paulo Rebocho, de 53 anos. O comerciante foi rodeado por seis homens à porta do café depois de tentar acalmar dois jovens do grupo de etnia cigana que estavam a perturbar os clientes.

“Começaram por se envolver numa briga, na esplanada do café e pedi-lhes que se acalmassem ou teriam de ir para a rua. O pai não gostou e chamou-me para fora da esplanada. Segundos depois estava cercado, caído no chão a levar um enxerto de pontapés”, conta Paulo Rebocho ao jornal “O MIRANTE”.

No momento da agressão havia pessoas a ver “mas ninguém fez nada por medo daquelas pessoas e pela violência com que me batiam”, reconhece. “Apenas um cliente teve a coragem de se atirar ao chão e cobrir-me para me proteger”, descreve.

Populares manifestam-se na Assembleia Municipal

O presidente da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho (CDU), confirmou hoje à Lusa a presença dos populares durante a Assembleia Municipal, reconhecendo que os factos na origem da sua indignação merecem “total rejeição” por não se poder “permitir afirmações violentas de grupos, sejam eles quais forem”.

O vereador socialista na Câmara de Benavente Pedro Pereira enviou uma nota à Lusa acusando o executivo comunista de ter “alimentado” a presença no concelho de famílias que estão na origem destes atos violentos, que “ameaçam a segurança” das populações, “emprestando terrenos e oferecendo-lhes algumas condições de habitabilidade gratuitas”.

Na sua nota, Pedro Pereira afirma que os populares, que referiram ainda problemas relacionados com “consumo e tráfico de droga”, acusaram o executivo CDU de “passividade” e exigiram medidas.

Carlos Coutinho afirmou que a família autora da agressão violenta, sem qualquer razão conhecida, contra o proprietário do café, integra um conjunto de 12 a 15 agregados que se instalaram no concelho há cerca de 20 anos, em terrenos dispersos cedidos na altura pelo município na perspetiva de um realojamento que, fruto das crises económicas, foi sendo adiado.

O autarca assegurou que, ao contrário do que foi referido, o município não suporta qualquer despesa de abastecimento de água ou luz, uma vez que as famílias que têm estes serviços têm contratos com as respetivas empresas (Águas do Ribatejo e EDP).

Segundo disse, perante a ocorrência da passada semana, reuniu de imediato com o comandante da GNR, que deu conta da instauração de uma queixa-crime contra os autores da agressão, estando agendada para julho uma reunião com o comando distrital da Guarda Nacional Republicana, no sentido de ser feito um reforço dos meios no concelho.

Carlos Coutinho afirmou que, no dia do incidente, a patrulha da GNR demorou 25 minutos a chegar ao local, por ter os seus elementos envolvidos noutras ocorrências, e salientou a importância da presença de patrulhas, fundamental na prevenção e na sensação de proximidade e de segurança para as populações.

Sublinhando que o município não pode ser “conivente” com atitudes violentas, o autarca afirmou que os serviços de ação social acompanham a situação destas famílias, tendo em curso a preparação de medidas de intervenção, suspensas nesta fase da epidemia da covid-19, que vão ser retomadas.

“Há aqui um problema de integração que exige uma intervenção do Estado”, disse, salientando que a questão “tem de ser tratada com o rigor que merece”, na convicção de que “todos têm direitos e deveres”.

Deixe o seu comentário

Siga-nos através das redes sociais

últimas
Notícias Relacionadas
Leia também