Presidente da República e o Jardim do Campo Grande

Publicado por Vítor Santos em 26 de Abril de 2018 | 22:56

Com o ato de ontem, o presidente “de todos os portugueses” branqueia a história do 25 de Abril, esquecendo que Portugal deve a sua liberdade… [ ]

Com o ato de ontem, o presidente “de todos os portugueses” branqueia a história do 25 de Abril, esquecendo que Portugal deve a sua liberdade a um homem que deu o peito às balas: Salgueiro Maia


Autarquia de Lisboa, governantes e presidente da República, inauguraram ontem, 25 de abril, um jardim com séculos de existência. Foi remodelado, é certo, mas o espaço, carregado de história, mantém-se inalterável.

Foi palco do cerco a Lisboa pelo rei de Castela na sequência da crise de 1383-85. Campo da cerimónia de revista às tropas pelo Rei D. Sebastião, antes da partida para Alcácer Quibir.

A partir de finais do século XVII, começou a ser ocupado por alguns solares, restaurantes e actividades lúdicas dedicadas aos boémios. Dos retiros já não há testemunhos, mas em redor do espaço ainda lá estão alguns palacetes, como seja o palácio Pimenta, onde está alojado o Museu da Cidade, ou o palácio do Conde de Vimioso.

Em 1792, no reinado de D. Maria I, começou a discutir-se o projeto de um jardim nos campos de Alvalade, com a finalidade de criar uma zona arborizada que incluísse um circuito para corridas de cavalos.

O espaço voltou a ter funções públicas, quando Pina Manique mandou elaborar um projecto de Passeio Público para aquela área e que passou a ser uma das entradas nobres da cidade. O Passeio Público servia de local de feiras como a Feira do Campo Grande ou a Feira das Nozes que chegava a durar 2 meses.

Em 1801, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Conde de Linhares, sob ordens do Príncipe Regente D. João, projetou a sua plantação, inspirada no estilo de Passeio Romântico.

A lista histórica do Jardim do Campo Grande é mesmo grande e soberba e os portugueses, sobretudo os lisboetas, não podem permitir que se faça um branqueamento da história levado a cabo por uma autarquia e governo socialista com a conivência do presidente da República.

E como cidadão de direito deste país, fico escandalizado quando, ao ser atribuído o nome de “Jardim Mário Soares” ao Jardim do Campo Grande, ouço o presidente República Portuguesa afirmar que: “É bom que a liberdade tenha um nome, é bom que esse nome retrate uma vida”, acrescentado que “todos lhe devem a liberdade”.

Mas que vida, senhor presidente!? Dívidas de liberdade!!!? Onde estava Mário Soares quando se deu o 25 de Abril? Ah – exilado em França (Paris), entretido a pisar e queimar a Bandeira Nacional, vivendo à custa da mulher, uma grande Mulher que se desdobrava entre ser professora e atriz (Maria Barroso), para sustentar o homem que hoje o presidente da República venera.

Com o ato de ontem, o presidente “de todos os portugueses” branqueia a história do 25 de Abril, esquecendo que Portugal deve a sua liberdade a um homem que deu o peito às balas, que enfrentou um tanque de guerra desarmado para que não houvesse derramamento de sangue e que, sem a sua coragem e abnegação, jamais teria havido o 25 de Abril. É a este homem, Ribatejano, de nome Salgueiro Maia, e a todos os que o acompanharam naquela madrugada, hoje, devemos a LIBERDADE.

Ontem, um amigo meu, hoje médico e, ao tempo, um capitão de Abril, (Dr. Eduardo Agostinho), participou numa jornada de confraternização com outros “rapazes daquele tempo”. E escreveu na sua página do facebook:

“Mais uma jornada de confraternização! Num restaurante bem no coração da cidade de Santarém, cidade onde estaria previsto o desfecho final sem se render, no caso das coisas correrem mal em Lisboa, voltámos a reunir-nos para uma almoçarada de convívio e confraternização, um grupo de gajos, rapazes daquele tempo e do dia 25 de Abril que resolvemos pegar numa espingarda para lutar por privilégios que nem nós nem os nossos amigos nem as nossas famílias alguma vez tiveram, privilégios que eram só de alguns.

Ali estivemos com amizade e camaradagem a comemorar especialmente aquele tempo, a nossa juventude e o que nos fez instantaneamente saltar para a acção de uma aventura que haveria de vir a ser coroada de êxito.

Ali estivemos sós, bem longe da política e dos políticos e assim foi mais fácil perguntarmos uns aos outros pelo que resultou da nossa acção ao derrubarmos um regime.

Então se nós queríamos uma vida melhor porque é que não a temos?! Uma vez que a nossa acção foi coroada de êxito?

Porque é que há cada vez mais pobres?! Porque é que vão crianças para a escola com fome? Porque é que há grávidas com fome? Porque é que o Serviço Nacional de Saúde se degrada a cada dia que passa?

Porque é que a Educação trata mal os seus principais agentes, os professores e a preparação dos alunos é cada vez mais deficiente e o insucesso escolar cresce todos os anos?

Porque é que à Justiça só alguns têm acesso e se torna cada vez mais cara? Porque é que somos cada vez mais penalizados com sobrecargas brutais de impostos tornando a nossa vida num inferno?

Porque é que a corrupção atingiu níveis monstruosos em todos os campos de actividade, no Desporto, na Economia, na vida pública, bem ao nível daqueles países terceiro mundistas?

Como é que isto foi parar às mãos de uma cáfila de exploradores que além de mordomias nos sugam sem justificação, através de leis preparadas por eles, todo o fruto do nosso esforço? E se algum pensa em produzir e criar riqueza é perseguido como se se tratasse de um criminoso?

Foi estas perguntas que nós ali livremente fizemos uns aos outros. Nós que somos o povo, que somos do povo, o que pusemos nas nossas mãos?!

Afinal quem é que mais ordena?! Não me parece que seja o povo! Ou será preciso fazer mais alguma coisinha?!”

Senhor presidente da República, a pergunta do meu amigo Eduardo Agostinho é para si! “Será preciso fazer mais alguma coisinha”?

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