PS alcança a sua segunda maioria absoluta

Um país rosa: PS alcança a sua segunda maioria absoluta e Costa pode ser primeiro-ministro por 10 anos, a maior longevidade neste cargo

António Costa
Autor: Vítor Santos | 31 de Janeiro de 2022

O PS alcançou no domingo a sua segunda maioria absoluta em eleições legislativas, mas desta vez conseguiu-a ao fim de seis anos de Governo, o que tornará António Costa o primeiro-ministro socialista com maior longevidade neste cargo.

António Costa é primeiro-ministro desde novembro de 2015 e vai formar agora o seu terceiro Governo. E, caso complete a próxima legislatura, estará em funções até outubro de 2026, batendo até em longevidade o social-democrata Aníbal Cavaco Silva, que esteve em funções entre 6 de novembro de 1985 e 28 de outubro de 1995.

Em relações a outros chefes de Governo socialistas, António Guterres tomou posse em 28 de outubro de 1995 e o seu segundo executivo terminou em 06 de abril de 2002. Já José Sócrates iniciou funções em 12 de março de 2005 e o seu segundo Governo acabou em 21 de junho de 2011.

No seu discurso de vitória, já quando estavam garantidos 117 deputados socialistas em 230, António Costa referiu as circunstâncias políticas, sociais e económicas que distinguem esta segunda maioria absoluta do PS em relação à primeira de 2005, obtida por José Sócrates.

Este resultado, disse, é alcançado ao fim de seis anos de exercício governativo e após uma pandemia da covid-19 de quase dois anos.

António Costa não o disse, mas ficou subjacente o facto de a primeira maioria absoluta de José Sócrates ter sido alcançada em circunstâncias políticas muito distintas, a partir do PS na oposição, depois de o então Presidente da República Jorge Sampaio ter dissolvido a Assembleia da República, na sequência de um acentuado desgaste do Governo liderado por Pedro Santana Lopes.

Em termos de percentagem, o resultado deste domingo alcançado pelo PS, cerca de 41,6%, é inferior aos 45,05 de José Sócrates em 2005. O número de votos também é mais baixo agora (2,2 milhões de Costa contra 2,57 milhões de Sócrates).

No entanto, em consequência das especificidades do sistema eleitoral português, a maioria absoluta obtida por António Costa (117) ainda poderá no limite alcançar o máximo de 120 deputados de 2005, se eleger três dos quatro deputados em disputa nos dois círculos da emigração.

Em termos de vitórias em círculos eleitorais, o PS de António Costa conseguiu agora vencer pela primeira vez em Leiria, o que não tinha acontecido com José Sócrates – e logo com um deputado a mais do que o PSD.

Nas eleições deste domingo, os socialistas só perderam na Madeira, mas empataram a três em mandatos.

Ainda numa análise aos resultados de domingo, o crescimento verificado em janeiro de 2022 face a outubro de 2019 é significativo, tendo o PS passado de 36,4%, com 1,908 milhões de votos, para os 2,2 milhões, alcançando resultados bastante elevados em círculos tradicionalmente de esquerda como Setúbal (45,73%), Beja (43,73), Portalegre (47,21%) e Évora (43,95).

O PS teve ainda triunfos expressivos nos círculos de Coimbra (45,23) e Castelo Branco (47,65%). Ao contrário de 2019, o PS ganhou desta vez em Bragança, Vila Real e Viseu – três círculos eleitorais do Norte do país tradicionalmente dominados pelos sociais-democratas.

No discurso de vitória, sem fazer qualquer referência ao passado, António Costa procurou demarcar-se do estilo das duas maiorias absolutas de Cavaco Silva (1987 e 1991) e da de José Sócrates (em 2005).

“Um dos grandes desafios que terei na legislatura é reconciliar os portugueses com a ideia das maiorias absolutas. Que estabilidade é bom para a democracia e não uma ameaça para a democracia”, declarou, prometendo, depois, que, nos próximos quatro anos, governará em diálogo com todos os partidos representados no parlamento, em concertação social e mantendo um relacionamento de cooperação institucional com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em relação aos partidos à esquerda do PS, que tiveram uma acentuada quebra nestas eleições, António Costa deixou-lhes uma farpa: “Os portugueses mostraram um cartão vermelho à crise política”.

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