Rangel satisfeito com posição de Rio

Rangel satisfeito que Rio queira finalmente fazer oposição a António Costa, defendendo que é isso que a sua candidatura já tem feito

Rangel
Autor: Vítor Santos | 9 de Novembro de 2021

O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel saudou hoje o adversário, Rui Rio, por querer “finalmente fazer oposição” ao primeiro-ministro António Costa, defendendo que é isso que a sua candidatura já tem feito.

O social-democrata falava aos jornalistas à entrada do Aeroporto da Madeira, antes de regressar a Lisboa, em reação às declarações do seu adversário à liderança do PSD, Rui Rio, que afirmou hoje que vai abdicar da campanha interna para se concentrar nas legislativas antecipadas, agendadas para 30 de janeiro.

Rangel disse que a posição de Rio não é muito diferente da sua e expressou satisfação com o facto do presidente do PSD e recandidato ter “correspondido ao apelo de fazer oposição ao Governo” liderado por António Costa.

“Porque nós temos de aproveitar estas eleições internas para fazer oposição ao Governo e para mostrar quem é que tem maior capacidade para desempenhar o cargo de primeiro-ministro”, salientou.

O eurodeputado ressalvou, porém, que os militantes “também merecem o respeito de haver algum debate interno”.

“Os militantes são chamados a votar no dia 27 [de novembro] para escolher o melhor candidato a primeiro-ministro e, portanto, é expectável que também haja um respeito por essa eleição”, advertiu.

“Agora há uma coisa que eu saúdo muito claramente. É que o dr. Rui Rio queira finalmente fazer oposição ao dr. António Costa e concentre todos os seus esforços nisso. Porque isso é o que eu já tenho feito nesta campanha”, realçou o candidato à liderança do PSD.

“Por exemplo, ainda hoje eu chamei à atenção – não vi o dr. Rui Rio fazer isso – a propósito da entrevista do dr. António Costa, que ele não quis comentar, que é fundamental que nós chamemos outra vez para liderar a vacinação o vice-almirante Gouveia e Melo. Isto sim é fazer oposição ao Governo de António Costa”, defendeu.

Paulo Rangel chamou ainda à atenção para “um facto de primeira importância”, que estranhou não ter sido referido por Rui Rio, “já que o seu foco é fazer oposição ao Governo”, que diz respeito à ausência das confederações patronais numa reunião com o Ministro do Planeamento, onde iria apresentar as “Linhas Orientadoras do Acordo de Parceria de Portugal 2030”, por considerarem que o tema devia ser apresentado à concertação social.

“É que hoje houve um bloqueio da concertação social”, frisou Paulo Rangel, insistindo que a sua estratégia de crescimento para o país, contrariando “esta estagnação que criou António Costa, só é possível havendo acordos na concertação social”.

“E o Partido Socialista, que já mostrou que não é alternativa […] porque não foi capaz de governar o país de forma a pô-lo à frente dos tantos [países] que nos estão a ultrapassar na união europeia nestes seis anos, acaba agora de dizer que não vai ter os parceiros sociais consigo para governar o país”, criticou.

Interrogado, por outro lado, sobre a posição de Rio de que está em melhores condições de derrotar António Costa, Paulo Rangel respondeu, em tom de crítica: “Naturalmente que isso são os militantes do PSD, que ele não quer visitar, que têm de dizer. No dia 27 [de novembro] haverá eleições e os militantes é que se vão pronunciar”.

Rui Rio considera-se o mais bem preparado para derrotar António Costa

O presidente do PSD e recandidato, Rui Rio, considerou hoje ser o mais bem preparado para derrotar o primeiro-ministro, António Costa, nas legislativas de 30 de janeiro dado estar a construir este caminho há quatro anos.

“É inequívoco que aquele que está em melhores condições para derrotar António Costa sou eu, mal fora se assim não fosse, depois de andar a construir este caminho há quatro anos”, referiu o social-democrata, numa declaração na sede do partido, no Porto.

Rui Rio, após anunciar que abdica de fazer campanha para as diretas de 27 de novembro para se concentrar apenas nas eleições legislativas, lembrou que este seu caminho teve de ser construído, não apareceu feito em 15 dias.

“Quem foi a eleições 30, 60 ou 90 dias depois de ter chegado não teve tempo de se afirmar”, argumentou.

Falando de um percurso de mais de 40 anos na política, Rui Rio considerou que as pessoas sabem quem ele é, conhecem-no e conhecem o seu percurso.

Logo “mais importante do que andar a mostrar-se dentro do PSD” é preparar o partido para o que realmente é importante, que são as eleições legislativas, reforçou.

“Os militantes do PSD conhecem-me há muitos anos. Estão, por isso, capazes de avaliar quem é que, neste momento, tem melhores condições para derrotar António Costa e ser o novo primeiro-ministro de Portugal”, acentuou.

O social-democrata aproveitou ainda para reafirmar que considera “totalmente desadequado” que o PSD tenha antecipado o seu congresso para antes das próximas eleições legislativas.

Entre várias razões enumeradas, Rio referiu que o mandato da atual direção do partido só termina em fevereiro e as eleições nacionais ocorrem antes, ou seja, em janeiro.

Além disso, lembrou a “vantagem enorme” que o PSD dá ao PS que, não estando em disputas internas, pode desde já fazer a sua campanha eleitoral junto dos portugueses, enquanto o PSD se “guerreia internamente”.

O Conselho Nacional no PSD aprovou no sábado a marcação de eleições diretas para escolher o próximo presidente do partido para 27 de novembro e o Congresso para os dias 17, 18 e 19 de dezembro.

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