Recebe 17 mil euros/mês para apoiar Medina

Publicado por Vítor Santos em 5 de Julho de 2020 | 15:52

João Taborda, filho de Jaime Gama que costuma apoiar Medina em comentários na rádio Renascença, recebe 17.003€ por mês da CML

João Taborda da Gama está num programa na Renascença onde se confronta com Fernando Medina. Mas em temas fraturantes que envolvem a câmara está sempre de acordo com o presidente. Só que Gama foi contratado pela Câmara Municipal de Lisboa.

A forma como a cidade de Lisboa está a lidar com a pandemia, os contratos com a Web Summit, o novo aeroporto, a política para os sem-abrigos, a política de habitação, a gestão do turismo, ou assuntos relacionados com a TAP.

Estes são alguns dos temas fraturantes debatidos na rádio Renascença num programa de comentários que tem frente a frente o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e o seu opositor, João Taborda da Gama, filho de Jaime Gama, mas que está mais próximo do CDS.

O que causa estranheza nisto? O facto de João Taborda da Gama estar recorrentemente de acordo com Medina em relação às decisões do presidente da câmara nestas matérias.

O que é que causa ainda mais estranheza? O facto de se ter sabido agora que o advogado de direita, e suposto opositor de Medina na rádio, tem dois contratos de assessoria jurídica, atribuídos por nomeação direta, que valem a João da Gama um rendimento de 17.003 euros mensais. A história é avançada pela revista “Sábado”.

A 21 de março, João Taborda da Gama assinou um texto de opinião no “Diário de Notícias” em que manifestava apoio a Fernando Medina. Escreveu, na altura: “Outros políticos, como Fernando Medina, têm tido a coragem de insistir no ponto fulcral”. O que não se sabia era que nesse dia o filho de Jaime Gama já tinha na agenda a assinatura de um contrato de um ano com a CML no valor de 162.927€ (ou seja, 13.577€ por mês). Por essa altura, no “espaço de debate” na rádio Renascença, referindo-se à pandemia, João da Gama voltou a apoiar Fernando Medina. O ajuste direto para assessoria jurídica no valor de €162.927 foi então despachado pelo vereador Miguel Gaspar no dia 5 de abril e o contrato assinado no dia 27. Pouco depois destes elogios.

Aos 13.577€ por mês que João Taborda da Gama assinou no primeiro contrato, juntou-se mais dinheiro quando a 5 de junho a CML contratou de novo o advogado. O segundo ajuste direto tem um valor de 23.985€ até 31 de dezembro (€3.426/mês), para “assessoria jurídica em procedimento de contratação para aquisição de serviços de remoção de graffiti”, o que significa que no total o advogado recebe 17.003€ por mês da CML.

Ouvindo as várias emissões da espaço de debate da Renascença é possível recordar as várias vezes em que João da Gama apoiou Fernando Medina e as suas decisões em relação a vários temas mais difíceis. A revista “Sábado” recorda-os: Web Summit (17/10), aeroporto (31/10 e 27/02), sem-abrigos (19/11), habitação (05/12), turismo (19/12), Tribunal de Contas (16/01) e TAP (20/02).

Além de negar a cunha, a CML não justificou à “Sábado” o porquê de precisar de ajuda jurídica para contratar empresas para remover graffitis — objetivo do segundo contrato.

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