Rússia admite já ter utilizado armas químicas

Ocidente teme que Moscovo atinja Kiev com ataque químico. Rússia admite já ter utilizado armas termobáricas no conflito

Guerra - Ucrânia
Autor: Vítor Santos | 9 de Março de 2022

Rússia admite já ter usado armas termobáricas na Ucrânia — são das mais explosivas do mundo. A informação foi revelada pelo Ministério da Defesa britânico, adiantando que o seu homólogo russo admitiu ter usado o sistema de armamento TOS-1A na Ucrânia.

Já usadas no Afeganistão — na altura da invasão da União Soviética —  e na Chechénia, estas são das armas mais poderosas do mundo, já que espoletam duas explosões a dois tempos.

A primeira usa o oxigénio em redor para gerar uma explosão potente, sendo que a segunda aproveita essa energia para criar uma onda incendiária com o combustível que transporta, sendo capaz de esmagar órgãos, queimar pessoas vivas e colapsar pulmões, já que cria um vácuo.

Apesar de não serem proibidas pela lei internacional, estas armas têm regras estritas de utilização, não podendo ser empregues contra população civil ou em situações onde o uso de força contra alvos militares seja considerado desproporcional.

De acordo com o Governo britânico, há provas de que a Rússia já usou estas armas em situações que colocaram em risco de vida populações civis na Ucrânia.

Manifestações anti-guerra na Rússia leva a milhares de detenções

Human Rights Watch denuncia detenções “violentas” e “arbitrárias” na Rússia de milhares de manifestantes anti-guerra.

Em comunicado, a HRW acusa a polícia russa de ter usado força excessiva na detenção dos manifestantes e de, em vários casos, ter infligido aos detidos abusos que equivalem a torturas ou tratamentos desumanos e degradantes, situação que foi relatada pela organização não-governamental (ONG) russa OVD-Info, especializada em monitorizar manifestações.

De acordo com a ONG russa OVD-Info, 13.500 pessoas foram detidas de forma arbitrária desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro, entre as quais 113 crianças.

Só no domingo, segundo esta ONG, a polícia deteve cerca de 5.000 pessoas durante protestos pacíficos em 69 cidades da Rússia.

Já na terça-feira, data em que se assinalou o Dia Internacional da Mulher, dezenas de manifestantes foram detidos.

“As autoridades russas continuam a negar às pessoas o direito à liberdade de reunião e a sufocar as vozes daqueles que discordam da guerra da Rússia na Ucrânia”, sublinhou o diretor da Europa e da Ásia Central na HRW, Hugh Williamson, observando que a “escalada da violência policial ilustra a tentativa para intimidar e silenciar a dissidência”.

Segundo a HRW, as autoridades russas têm “reprimido vigorosamente” as manifestações públicas contra a guerra, recorrendo ao bloqueio e criminalização dos meios de comunicação independentes e de quem apela ao fim do conflito bélico.

Para impedir qualquer crítica, as autoridades russas aprovaram na sexta-feira uma lei que proíbe “informações falsas” sobre as atividades do exército russo na Ucrânia. De acordo com esta lei, as penas variam de multa a 15 anos de prisão.

Aqueles que se manifestarem ou convocarem manifestações contra a presença militar russa na Ucrânia também serão multados, de acordo com um novo artigo do código administrativo que proíbe ações públicas “desacreditando as forças armadas”.

Se repetidos, esses crimes podem ser punidos com até três anos de prisão.

Nos últimos anos, dezenas de manifestantes também foram condenados a duras penas de prisão por “violência contra a polícia”, motivos considerados por muitas ONG inventados ou altamente exagerados.

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