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Santana Lopes sai do PSD para formar novo partido

Publicado por Vítor Santos em 4 de Agosto de 2018 | 11:01

“A política deve ser lutar por aquilo em que acreditamos”. Santana Lopes despede-se do PSD em carta aberta e prepara-se para formar novo partido

Pedro Santana Lopes

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Pedro Santana Lopes vai sair do PSD e formar um novo partido, decisão que já comunicou à liderança social-democrata e que explica numa carta aberta aos militantes, a que o Observador teve acesso.

Ao líder partidário, Rui Rio, e ao secretário-geral do partido, José Silvano, a decisão foi comunicada na sexta-feira à tarde, por telefone, segundo o Observador.

Santana Lopes põe assim fim a 40 anos de militância no PSD, dos quais guarda recordações de “momentos únicos” e “extraordinários”, mas também de alguma desilusão, sobretudo por sentir que os seus discursos eram ouvidos, mas as suas ideias pouco atendidas.

Na carta de despedida, Pedro Santana Lopes considera: “não faz sentido continuar numa organização política só porque já estamos há muito, ou porque em tempos alcançamos vitórias e concretizações extraordinárias se, no passado e no tempo que importa, no tempo presente, não conseguimos fazer vingar ideias e propostas que consideramos cruciais para o bem do nosso país”.

Entre os exemplos que cita de ideias que defendeu, e das quais “o PSD nunca quis saber”, para a Política Agrícola Comum, a desertificação do interior ou ainda as críticas ao poder “discricionário” de demissão do Governo atribuído ao Presidente da República.

Recordando o episódio em que foi demitido de primeiro-ministro pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, Pedro Santana Lopes reconhece que talvez se devesse ter desfiliado na altura, mas não deixa de apontar o dedo ao PSD.

“Quando destacadíssimos militantes do partido tudo fizeram para que Jorge Sampaio abolisse a maioria parlamentar legítima e estável por motivos que se ‘absteve de enunciar’. Ou, no ano seguinte, quando o PSD impediu a recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa que conquistáramos, a pulso, à maioria de esquerda, quatro anos antes”, especifica.

Para o ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, todas estas decisões “graves” têm consequências políticas até hoje.

Na carta aberta, Santana Lopes pronuncia-se também sobre Rui Rio, criticando o “pensamento económico ortodoxo” e a “aproximação ao PS” e lembrando que deixou avisos durante as diretas.

“Vinha aí uma estratégia de condescendência para com o PS, para mim, um erro grave. Disse, e repeti, que os militantes deveriam rejeitar a via que, de modo mais ou menos explícito, admitia o Bloco Central”, escreve Santana Lopes, citado pelo Observador.

Em contrapartida, elogia Pedro Passos Coelho, de quem diz ser uma “pessoa com grandes qualidades, em vários domínios da vida” e que “como líder político mostrou ser sério, competente, coerente”.

Lembrando que nunca calou “diferenças” com o antigo primeiro-ministro, como “no congresso de 2014 e no dia da resolução do BES”, Santana num patamar de excelência Lopes não deixa de considerar que Passos Coelho “fez um trabalho notável a conduzir o país num período de emergência nacional, tendo conseguido a ‘saída limpa’ que iniciou a recuperação económica”.

Foi a saída de Passos Coelho que fez com que deixasse a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para se candidatar à liderança do PSD.

O novo caminho que agora vai seguir é o de criar uma nova formação partidária liberal, para a qual ainda não tem nome escolhido.

“A política deve ser lutar por aquilo em que acreditamos ser o melhor para a comunidade de que fazemos parte. Sonho com um país em que a Cultura, o Ambiente, a Inovação, a Investigação, o Mar, sejam verdadeiras prioridades, orçamentalmente assumidas e, antes disso, assumidas na consciência nacional”, escreve, lançando as primeiras pistas sobre os assuntos pelos quais o seu partido se vai bater.

O objetivo de Santana Lopes é “contribuir para dar força à alternativa de que Portugal precisa para substituir a maioria de esquerda”.

“Quero intervir politicamente num espaço em que não se dê liberdade de voto quando se é confrontado com a agenda moral da extrema–esquerda”, diz Santana Lopes, que se manifestou, por exemplo, contra a liberdade de voto dada por Rui Rio aos deputados do partido na votação sobre a eutanásia.

Pedro Santana Lopes sublinha, ainda, que o caminho que e segue é o que o faz estar de bem com a sua consciência.


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