Se jogadores retirarem rescisões, Bruno de Carvalho demite-se

Bruno de Carvalho reagiu às rescisões de Gelson, Bas Dost, William, Bruno Fernandes, Podence e Rui Patrício. Diz que se demite se jogadores voltarem atrás nas rescisões

Autor: Vítor Santos | 11 de Junho de 2018

Bruno de Carvalho garantiu que se demite da presidência do Sporting se os seis jogadores que já rescindiram contrato – Gelson, Bas Dost, William, Bruno Fernandes, Podence e Rui Patrício – recuarem e aceitarem jogar pelos ‘leões’ em caso de vitória eleitoral da atual Direção do clube.

“Se, neste momento, os seis atletas que rescindiram, e nesta estratégia de desgaste mais pode acontecer, se o problema é este Conselho Diretivo, basta os atletas escreverem uma carta à SAD dizendo que se esta Direção se demitir voltam atrás nas rescisões e jogam no Sporting. Se nos voltarmos a candidatar e ganharmos também continuam a valer estas premissas. Basta haver essa carta dos seis e nós na mesma hora demitimo-nos”, atirou.

“Uma carta em que digam dois pontos: que se nos demitirmos que voltam atrás com as rescisões; que se nos candidatarmos e ganharmos continuam a valer essas premissas”, sublinhou.

“Se nos formos embora o futebol muda de paradigma. Se isto são causas por justa então é melhor o futebol mudar completamente. Se sairmos, que tipo de liderança teria o próximo presidente. Iria gerir sob medo, sob pressão? Não, os jogadores voltaram atrás e ele vendia-os. E se quisesse esses jogador ir embora fazia o mesmo e o Sporting não saía disto. O mais fácil era apresentarmos a demissão mas o Sporting perdia tudo o que conquistou em cinco anos, pois quem mandava no clube seriam agentes e advogados. Não quero meter os jogadores nisto. Na altura certa direi o que sei sobre cada um deles. O que traria de bom a nossa saída?”, questionou.

Recorde-se que que o prazo legal para as rescisões por justa causa termina esta quinta-feira, 30 dias após as agressões em Alcochete (15 de maio), que estará na base destes pedidos de rescisão.

A crise no Sporting teve origem na perda do segundo lugar do campeonato, na última jornada, para o Benfica e acentuou-se dias depois, em 15 de maio, quando cerca de 40 pessoas encapuzadas invadiram a Academia do Sporting, em Alcochete, e agrediram alguns futebolistas e elementos da equipa técnica, com a GNR a deter 27 dos atacantes, que ficaram em prisão preventiva.

Entre estes detidos, que ficaram em prisão preventiva, estão Fernando Mendes, ex-líder de claque Juventude Leonina, e o condutor do BMW azul que no dia das agressões entrou nas instalações da Academia do Sporting em Alcochete e retirou alguns dos alegados agressores.

Na sequência destes incidentes, os futebolistas Rui Patrício e Daniel Podence apresentaram a rescisão por justa causa, enquanto o treinador Jorge Jesus rescindiu por mútuo acordo para assinar pelos árabes do Al Hilal. Bruno de Carvalho anunciado inclusivamente que avançou com processos crime contra ambos os jogadores.

No âmbito de uma investigação do Ministério Público sobre alegados atos de tentativa de viciação de resultados em jogos de andebol e futebol, tendo como objetivo o favorecimento do Sporting, foram constituídos sete arguidos, incluindo o ‘team manager’ do clube, André Geraldes.

Na sequência destes acontecimentos, a maioria dos membros da Mesa da Assembleia Geral (MAG) e do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) e parte da direção apresentaram a sua demissão, defendendo que o presidente Bruno de Carvalho não tinha condições para permanecer no cargo.

Após duas reuniões dos órgãos sociais, o presidente demissionário da MAG, Jaime Marta Soares, marcou uma Assembleia Geral para votar a destituição do Conselho Diretivo (CD), para 23 de junho – sobre a qual foi interposta uma providência cautelar para a sua realização pela MAG que foi indeferida liminarmente pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa – e criou uma comissão de fiscalização para evitar o vazio provocado pela demissão da maioria dos elementos do CFD.

O CD do Sporting decidiu substituir a MAG e respetivo presidente através da criação de uma Comissão Transitória da MAG, que, por sua vez, convocou uma Assembleia Geral Ordinária para o dia 17 de junho, para aprovação do Orçamento da época 2018/19, análise da situação do clube e para esclarecimento aos sócios e convocar uma Assembleia Geral Eleitoral para a MAG e para o CFD para o dia 21 de julho.

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