Sede da RTP alvo de buscas

As instalações da RTP em Lisboa foram hoje de manhã alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária. Em causa estão contratos assinados com Moita Flores durante a direção de Nuno Santos Segundo o Correio da Manhã, que avançou com a informação, as buscas foram realizadas pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de […]

Autor: Vítor Santos | 17 de Abril de 2018

As instalações da RTP em Lisboa foram hoje de manhã alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária. Em causa estão contratos assinados com Moita Flores durante a direção de Nuno Santos


Segundo o Correio da Manhã, que avançou com a informação, as buscas foram realizadas pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora e estão a ser realizadas por oito procuradores.

A informação foi entretanto confirmada à Lusa fonte oficial da empresa. A mesma fonte escusou-se, no entanto, a revelar mais pormenores sobre a operação.

“Confirma-se a realização de buscas no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Évora”, disse posteriormente também à Lusa fonte oficial da Procuradoria-Geral da República.

Segundo o Correio da Manhã, em causa estão contratos assinados com Moita Flores durante a direção de Nuno Santos, nomeadamente no que diz respeito à emissão do programa “Justiça Cega”, realizado em Santarém, em 2012. A Câmara Municipal, de que Francisco Moita Flores era autarca, terá contribuído com cinco mil euros de ajuda à produção.

No mesmo sentido, fonte ligada ao processo disse à Lusa que as buscas decorreram no âmbito de uma investigação que remonta ao ano de 2012 e que diz respeito a um patrocínio da Câmara Municipal de Santarém a um programa da RTP.

O caso não é novo, em setembro de 2016, a ERC deliberou sobre um artigo publicado no jornal O Mirante, no dia 21/08/14, que indagava sobre a participação de Moita Flores, Presidente da Câmara de Santarém e, por inerência, Administrador das Águas de Santarém à data da emissão do programa como comentador pago, ao mesmo tempo que a empresa por si presidida efetuou pagamentos à RTP para realização de uma edição de “Justiça Cega” a partir de Santarém.

Sobre esta matéria, a ERC deliberou “a instauração de procedimento de contraordenação contra a RTP” por “ausência de identificação de patrocínio”.

A participação deste caso deu entrada na ERC em 01 de setembro de 2014.

Francisco Moita Flores foi eleito pelo PSD à câmara de Santarém em 2005 e reeleito em 2009. Interrompeu este segundo mandato em 2012 para se candidatar, pelo mesmo partido, à autarquia de Oeiras, em 2013.

Contactado pela TVI, Moita Flores adiantou que não foi contactado sobre esta matéria, mas assume a possibilidade de as buscas estarem relacionadas com o dito programa de 2012.

“Deverá estar relacionado com contratos de apoio à produção desse programa [Justiça Cega], porque na altura já foi feita uma campanha contra mim por órgãos locais. O Mirante, entre outros, queriam que eu lhes desse publicidade a eles e eu entendi que deveria ter uma publicidade nacional e dei à RTP”, começou por dizer.

O comentador e ex-autarca diz-se “surpreendido” com as buscas, mas salientou que “assim verão o contrato que foi feito e tudo ficará esclarecido”.

A sede da RTP situa-se na Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa.

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