Seguro de saúde: Multicare ou Médis?

Num seguro de saúde, muitos consumidores ponderam entre Multicare e Médis. Mas, a melhor opção pode ser uma apólice de outra seguradora

Seguro de Saúde
Autor: Adília Vieira | 19 de Maio de 2022

Médis ou Multicare? A questão tem razão de ser, porque Médis e Multicare são as principais marcas de seguros de saúde e as mais reconhecidas pelos consumidores – juntas, detêm mais de 60% do mercado. A Multicare é do grupo Fidelidade, enquanto a Médis pertence à Ageas, que também inclui a Ocidental. A terceira posição deste pódio é ocupada pelo grupo Generali, que integra a Tranquilidade e a LOGO. Mas estas não são as únicas opções: existem, atualmente, 25 seguradoras a comercializar este tipo de seguros. E, apesar de as principais marcas terem bons produtos, outras há que poderão ser mais vantajosas, dependendo das necessidades e do perfil de cada consumidor, bem como do orçamento disponível.

Os seguros são comercializados em pacotes predefinidos de coberturas e capitais. Entre os mais simples (e mais baratos), que oferecem a cobertura de hospitalização e pouco mais, e os mais completos, que juntam assistência ambulatória, parto, estomatologia, próteses e medicamentos, a oferta é vasta e variada. Em regra, aos pacotes mais simples estão associados capitais mais reduzidos, que aumentam gradualmente, à medida que os planos se tornam mais robustos. No processo de escolha deve, pois, começar por determinar o tipo de despesas que pretende assegurar.

Quer acautelar uma cirurgia imprevista?

Se pretende, sobretudo, acautelar a necessidade de uma cirurgia no privado, deve começar por olhar para os pacotes mais básicos. O capital de hospitalização dos planos mais simples da Médis não ultrapassa os 15 mil euros e, para um consumidor de 40 anos, custa 159 euros anuais. Já o da Multicare, por 222 euros, cobre despesas de internamento até aos 25 mil euros e dá acesso a uma rede médica e a uma rede de saúde oral.

Contudo, o plano que apresenta a melhor relação entre o pacote de coberturas e o prémio é o MGEN Base. Tem um limite de 30 mil euros para cirurgias e, a partir do segundo ano de contrato, uma franquia de 250 euros. Na primeira anuidade, o aderente suporta 30% do valor do sinistro, com um mínimo de 500 euros. Permite ainda o acesso à rede de prestadores da Advancecare, à rede dentária Dentinet e a uma rede de Bem-estar. Grande vantagem: não tem limite de idade para adesão ou permanência e não exclui doenças já diagnosticadas. Para o nosso consumidor de 40 anos, custa cerca de 173 euros anuais.

A sua prioridade são consultas, tratamentos e exames?

Para garantir o acesso a consultas de especialidade no setor privado, bem como a exames complementares de diagnóstico e a tratamentos, sem descurar a eventualidade de uma cirurgia, deverá centrar-se em apólices com capitais para internamento e ambulatório. Se planeia ter filhos num futuro próximo e quer o parto num hospital privado, recomendamos as apólices que incluem esta cobertura na hospitalização sem limite de capital específico.

Os planos da Multicare e da Médis que melhor preenchem esta necessidade são o Multicare 2 e o Médis Opção 2. O primeiro custa 679 euros anuais a um consumidor de 40 anos, e o segundo, 703 euros. Ambos têm um capital de 50 mil euros para hospitalização, mas enquanto a Médis garante 2500 para ambulatório, a Multicare fica-se pelos 1000 euros, o que poderá ser curto para tratamentos mais prolongados.

Estas não são, contudo, as melhores opções. Para um pacote com estas características, os planos Asisa +Saúde Plus, Allianz Saúde Mais e Tranquilidade Advancecare Mais oferecem uma cobertura superior e são mais acessíveis: todos preveem um capital de 75 mil euros para hospitalização, cobrem despesas de ambulatório até 2500 euros e incluem parto (com o limite 2000 euros, no caso da ASISA). Os prémios variam entre 447 euros anuais (ASISA) e 590 euros (Tranquilidade).

Se é nosso subscritor e pode despender um pouco mais, a apólice com a melhor relação entre coberturas e preço é o Plano DECO (780 euros), ao abrigo do protocolo com a MGEN. Com um capital de 70 mil euros para hospitalização (inclui o parto), e 2000 euros para ambulatório, dispõe ainda de 300 euros para despesas de estomatologia efetuadas na rede. E, tal como os restantes seguros da MGEN, não tem limites de idade para adesão ou permanência, não exclui doenças graves ou já diagnosticadas e só poderá ser terminado por iniciativa do segurado.

Tem interesse sobretudo em ir ao dentista?

Coberturas como estomatologia, próteses e ortóteses ou medicamentos devem ser consideradas como complementares, não o principal motivo de subscrição de um seguro de saúde. Estas elevam substancialmente o prémio, apresentam franquias e têm limites de capital reduzidos.

Se aquilo que pretende é um produto que lhe permita fazer os tratamentos dentários de que necessita, então aconselhamos a subscrição de um seguro dentário ou de um plano de saúde oral. Em ambos os casos, e mediante o pagamento de um valor anual, é possível aceder a uma rede de prestadores a preços convencionados. As diferenças entre os dois são sobretudo formais.

Tem uma família numerosa?

Quando a família aumenta e o projeto de proteção da saúde passa de individual a coletivo, por norma, as exigências aumentam: além das despesas anteriores, pretendem-se consultas de pediatria, psicologia ou ginástica respiratória, sem esquecer os óculos e os aparelhos dentários.

Para uma família com três ou mais filhos, o Plano MGEN Famílias é o que melhor serve. É o único produto que tem um prémio para a totalidade do agregado, independentemente do número de filhos. Além do casal, cuja idade determina o prémio da apólice, inclui todos os filhos até aos 25 anos. Cobre cirurgias até aos 80 mil euros e prevê, por segurado, 2500 euros para ambulatório, 500 euros para estomatologia, 1000 euros para próteses e 200 euros para medicamentos. Um casal de 40 anos com três filhos ou mais pagaria 2347 euros anuais.

Alternativas aos seguros

Por último, mas não menos importante, se já ultrapassou os 60 anos e/ou tem doenças diagnosticadas, dificilmente conseguirá subscrever um seguro de saúde: as seguradoras definem um limite máximo de adesão e excluem doenças preexistentes. A exceção é o seguro de MGEN, que, pelas suas características especiais associadas aos princípios do mutualismo, não exclui ninguém em função da idade ou do historial clínico. Adicionalmente, a seguradora não poderá pôr termo ao contrato, que só termina por decisão do segurado.

Mas estes produtos têm tarifas crescentes e, a partir de certa idade, poderão representar um encargo incomportável. Nesse caso, um bom plano de saúde pode ser a solução.

Leia também