Sentimento de impunidade grassa na classe política

Autor: Horta e Costa | 2 de Julho de 2021

A ex-deputada Joana Amaral Dias não entende como é que António Costa ainda consegue segurar Eduardo Cabrita no Governo, depois de uma nova polémica em que o ministro da Administração Interna viu o seu nome envolvido na sequência de um atropelamento mortal de um trabalhador pelo carro oficial onde viajava o governante.

Para Joana Amaral Dias, Cabrita já deveria ter feito um pedido de desculpas e já deveria ter assumido responsabilidades na sequência do acidente.

“Como é que é possível que depois disto tudo António Costa mantenha Eduardo Cabrita? O ministro das golas inflamáveis, o ministro do caso do cidadão ucraniano. Há um rosário de escândalos muito graves de situações lamentáveis, a maior parte delas pouco esclarecidas, tratadas de forma atabalhoada. O sentimento de impunidade que grassa entre a classe política tem consequências muito graves no afastamento dos cidadãos na participação cívica e está a colocar o país numa situação insustentável”, comentou a antiga deputada do Bloco de Esquerda.

Joana Amaral Dias, a comentar o atropelamento mortal na A6 de um trabalhador por parte da viatura oficial do ministro da Administração Interna, diz que o governante deveria ter outro comportamento perante o que ocorreu.

“Em primeiro lugar, deixem-me dar as condolências à família do Nuno Santos que era o trabalhador que estava a trabalhar, no exercício das suas funções, deixa duas filhas menores, que ficam privadas do seu pai, do seu salário e por aí fora. Depois, as minhas condolências pelo estado da democracia. Perante este sinistro ministro que se conforma desta forma. Então o ministro depois de uma situação destas não dá as condolências pessoais à família? Manda uma carta pela GNR? Uma carta através da GNR? O Estado não se faz representar no funeral deste trabalhador? Cubro-me de vergonha perante o comportamento do Estado”.

Na TVI 24, Joana Amaral Dias disse ainda que, em relação a este caso, “há uma série de questões para esclarecer”.

“Ia ou não em excesso de velocidade? Fez-se ou não o teste do álcool e de drogas como é obrigatório? Havia sinalização? O trabalhador estava a respeitar as normas de segurança no trabalho?”, interroga.

Para Joana Amaral Dias, “há aqui uma série de questões mas este comportamento político não o pode ter em nenhuma circunstância”.

“Não pode ter dois pesos e duas medidas. Para o que lhe convém está calado à segunda, quarta e sexta-feira, e à terça, quinta-feira e sábado manda dizer ‘não, não, a culpa é da Brisa’. O que é isto? É absolutamente inaceitável.”

A antiga deputada bloquista entende que “tem de haver dignidade e comportamento humano”. “Aqui, batemos no fundo e o impacto foi tal que rebentou com o chão”.

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