Socialista Ricardo Rodrigues a contas com a justiça

O socialista Ricardo Rodrigues conhecido pelo furto de gravadores a jornalistas volta a ser notícia. Desta vez por crimes de participação económica e abuso de poder

Ricardo Rodrigues
Autor: Vítor Santos | 16 de Outubro de 2018

O socialista Ricardo Rodrigues, atual presidente da Câmara de Vila Franca do Campo (Açores), volta a ser notícia e, como sempre, pelas piores razões. Recorde-se que o então vice-presidente da bancada socialista esteve envolvido com um “gang internacional” na qualidade de advogado, sócio e procurador de uma sociedade offshore registada algures num paraíso fiscal; advogado/sócio de uma mulher (Débora Raposo), foragida no estrangeiro, acusada de “ter dado o golpe” de centenas de milhar de contos à agência da CGD de Vila Franca do Campo”.

De recurso em recurso, em dezembro de 2009, o Tribunal de Relação confirma o envolvimento de Ricardo Rodrigues com “gang internacional”.

Mais recentemente (2012), o socialista Ricardo Rodrigues volta a ser acusado, desta vez por atentado à liberdade de imprensa por se ter apropriado dos gravadores de dois jornalistas da revista “Sábado”, tendo sido condenado a uma pena de multa de 4.950 euros.

Hoje mesmo, o socialista foi de novo constituído arguido por crimes de participação económica em negócio e abuso de poder, por uma concessão fraudulenta de um estabelecimento construído com fundos da autarquia de Vila Nova do Campo, aonde o Socialista é Presidente da Camara e cedeu ao irmão, Luís Rodrigues e ao marido da vereadora socialista Nélia Guimarães um espaço, cuja despesa da obra nem foi inscrita no Orçamento para 2018, sendo cedido “por despacho direto do presidente da Câmara”.

Em junho, a Procuradoria-Geral da República confirmou a abertura de um inquérito sobre a concessão de um espaço de restauração, construído pela Câmara de Vila Franca do Campo, em São Miguel, a uma associação do irmão do presidente da autarquia, Ricardo Rodrigues (PS).

“Na sequência deste inquérito as autoridades estão a fazer as buscas que acham convenientes. Foi-lhes entregue voluntariamente os documentos que consubstanciaram todo o concurso público, as atas das assembleias municipais e da câmara que trataram e versaram sobre esta matéria”, sustentou hoje Ricardo Rodrigues, em declarações à agência Lusa.

O autarca frisou estar “tranquilo”, alegando que tudo foi feito na legalidade.

“A câmara fez aquilo que devia fazer. Abriu um concurso fui adjudicado e tudo consta dos documentos oficiais e não há nada que não seja claro e transparente”, reforçou o presidente da autarquia, acrescentando que resta “aguardar o trabalho da justiça e findo este trabalho logo veremos qual é que é o resultado das investigações”.

Ricardo Rodrigues explicou ainda que foram fornecidos aos inspetores da PJ “todos os elementos solicitados”, os quais “já estavam em dossier porque outras entidades já tinham pedido estes mesmos documentos”.

“E é com tranquilidade que vejo tudo isso”, sustentou Ricardo Rodrigues, não confirmando, no entanto, se foi constituído arguido: “Não há processos sem arguidos e é natural que haja arguidos neste processo”.

A abertura do inquérito foi noticiada na altura na edição ‘online’ da revista Sábado.

No dia 01 de junho, os vereadores do PSD no município (na ilha açoriana de São Miguel) e a comissão política concelhia do partido anunciaram que iriam apresentar uma participação ao Ministério Público (MP) na sequência da concessão de um espaço de restauração que está a ser construído pela autarquia, junto à Rotunda dos Frades, “a familiares de membros” da maioria socialista do executivo.

“A concessão do espaço foi entregue a uma associação criada pelo irmão do senhor presidente da câmara, Ricardo Rodrigues, e pelo marido da vereadora Nélia Guimarães. A referida associação foi constituída em fevereiro de 2018, um mês e meio antes da abertura do concurso público”, afirmou então a vereadora social-democrata Sabrina Furtado, citada numa nota de imprensa.

O PSD destacou que o aviso de abertura do concurso público não foi publicado em Jornal Oficial – “o procedimento habitual seguido pelo município” -, ao contrário do que aconteceu com outros dois concursos idênticos para bares (na marina e na praia Vinha d’Areia).

O aviso foi publicado no ‘site’ da autarquia em 23 de março, referiu o partido, indicando que um empresário local contou, numa reunião camarária pública, “ter-lhe sido negada toda a documentação solicitada” sobra a concessão do espaço de restauração.

O partido recordou que a obra junto à Rotunda dos Frades “não estava inscrita no orçamento” municipal para 2018 e foi aprovada “apenas pela maioria socialista em 21 de março, através de uma alteração orçamental que retirou 44 mil euros ao Campo de Jogos da Mãe de Deus”.

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