Somos quase todos ucranianos, disse Marcelo

“Somos quase todos ucranianos”, corrige Marcelo devido à ausência do PCP na sessão parlamentar com o Presidente da Ucrânia com Zelensky

Marcelo
Autor: Vítor Santos | 23 de Abril de 2022

Presidente da Ucrânia discursou esta semana, por videochamada, numa sessão solene na Assembleia da República, em que aproveitou para apelar a Portugal para que apoie o reforço de sanções à Rússia, nomeadamente no embargo ao petróleo vendido pelo país. O PCP foi o único partido com assento parlamentar a opor-se a esta iniciativa e não se fez representar no hemiciclo.

Questionado este sábado sobre essa ausência e as críticas posteriores feitas pelos comunistas ao líder ucraniano, nomeadamente pela referência “insultuosa” feita ao 25 de abril, Marcelo Rebelo de Sousa desvalorizou e fez apenas uma ressalva. “Subscrevi o convite dirigido ao presidente Zelensky, estive presente, aplaudi a mensagem, nela aplaudindo o povo ucraniano. A Assembleia da República não tomou certamente esta iniciativa para olhar apenas para um homem, por muito importante e decisivo que ele seja, mas para o povo”, referiu,

“Foi essa a minha posição na nota que fiz publicar [no site da Presidência] e em que disse ‘somos todos ucranianos’. Se quiser, posso corrigir e dizer: ‘somos quase todos ucranianos’. Há alguns que não são. Mas a maioria esmagadora dos portugueses pensa aquilo que pensa o Presidente da República, a Assembleia da República na sua esmagadora maioria, e que pensa o primeiro-ministro e o Governo. Neste momento, a luta dos ucranianos é uma luta nossa, dos portugueses”, resumiu o chefe de Estado.

Em declarações aos jornalistas, transmitidas pela CMTV depois de ter inaugurado o refeitório social “Senta.Com”, uma parceria entre a Câmara Municipal e a Santa Casa da Misericórdia de São João da Madeira, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que “o presente é difícil”, numa referência aos impactos da guerra provocada pela Rússia, depois de lhe perguntarem se o futuro será negro.

“Governos estão a tentar encontrar medidas para o curto prazo. Se a guerra demorar muito tempo, isso significa que o curto prazo se transforma em menos curto prazo e os custos são maiores para todos.”

O presidente da República assinalou a “dependência grande” que vários países têm do gás russo, o que faz com que seja “difícil substituir” esse fornecimento, e o aumento dos preços da energia que estão a pressionar a subida da inflação, “que já vinha da pandemia”, sobretudo no espaço europeu. “Os governos estão a tentar encontrar medidas para o curto prazo. Obviamente, se a guerra demorar muito tempo, isso significa que o curto prazo se transforma em menos curto prazo e os custos são maiores para todos”, completou.

Saudando a “nova fase” em que deixou de ser obrigatório o uso de máscara, exceto nos transportes, nos hospitais, nas farmácias ou nos lares de idosos, Marcelo apelou ainda à continuação do diálogo entre o Governo e os municípios no que toca ao processo de descentralização, que já levou o município do Porto a votar favoravelmente a saída da Associação Nacional de Municípios (ANMP). O Presidente lembrou que “se funcionar bem a descentralização, quer dizer que as pessoas de carne e osso são beneficiadas por ela; se for complicado, quem sai prejudicado são as pessoas”.

Finalmente, Marcelo Rebelo de Sousa expressou ainda o voto de que as deslocações, agendadas para a próxima semana, do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a Moscovo (dia 26) e a Kiev (dia 28 de abril), possam permitir a abertura de um caminho que conduza à paz”. “E que conduza à paz mais depressa do que devagar”, finalizou.

Deixe o seu comentário