Somos um país de palhaços

Publicado por Vítor Santos em 14 de Abril de 2018 | 22:45

Somos um país de palhaços. A última peça está em cena ali para os lados de Castelo Branco. Trata-se de uma tragicomédia com os actores… [ ]

Somos um país de palhaços. A última peça está em cena ali para os lados de Castelo Branco. Trata-se de uma tragicomédia com os actores Rui Esteves e Joaquim Morão


Somos um país de palhaços. Os políticos montaram o circo e os palhaços somos nós: o Povo. E entre o povo os palhaços dividem-se em duas classes: os primeiros da classe fazem de palhaços porque gostam; manifestam-se e gritam liberdade para os donos do circo que são apanhados na rede; os segundos trabalham, trabalham e trabalham para alimentar o circo político e os outros palhaços que gostam de ser palhaços.

O circo político é tão grandioso que nem “Cardinali” se atreveria alguma vez sonhar. É algo do outro mundo! Tão grandioso que consegue ter mais de 3 milhões de portugueses a comprar bilhetes para o espetáculo todos os dias.

As cabeças de cartaz são autenticas estrelas: “sócrates”, “isaltinos”, “limas”, “varas”, “carrilhos”, “pedrosos” e tantos outros a protagonizarem papeis de corrupção, branqueamento de capitais, violência doméstica e até, pedofilia.

Depois surgem os actores secundários, mas não menos artistas, que proliferam pelas sucursais do circo (leia-se autarquias). Embora em maior número, todos juntos, metem menos no bolso porque estão sempre dependentes das migalhas que as “estrelas” deixam cair.

Ainda assim, de entre os actores secundários, há sempre um ou outro que, depois do seu “estrelato” ser apanhado na rede, tenta mover-se na lama de modo a garantir a sua subsistência. E há mesmo aqueles mais arrojados que agem como se nada tivesse acontecido e contratam actores de terceira categoria para desempenharem papéis no circo sem saberem como se monta a “tenda”.

A última peça está em cena ali para os lados de Castelo Branco. Trata-se de uma tragicomédia com os actores Rui Esteves e Joaquim Morão.

Depois de ter sido forçado a pedir a demissão do cargo de comandante nacional da Proteção Civil, não por motivos académicos (relacionados com a sua licenciatura), mas sim por gerir o comando através de telemóvel a partir da sua casa em Sintra e por ter retido corporações de bombeiros no distrito de Castelo Branco num fogo em rescaldo quando se dava a catástrofe no concelho de Pombal.

Este senhor é co-responsável pela morte de mais de uma centena de pessoas e… qual o seu prémio pelos serviços prestados como comandante nacional da Proteção Civil?

Quatro meses depois é contratado para prestar serviços de assessoria técnica na área da protecção civil e defesa da floresta contra incêndios por um valor de 35 mil euros.

Rui Esteves é retirado do desemprego através do convite de Joaquim Morão, antigo presidente socialista da Câmara Municipal de Castelo Branco, que é apontado como próximo do antigo primeiro-ministro, José Sócrates. O contrato foi assinado em finais de janeiro e prevê que Rui Esteves preste serviços de “assessoria técnica” à Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), da qual Joaquim Morão é secretário executivo.

Mas quem é Joaquim Morão?

Durante mais de 30 anos, Joaquim Morão foi presidente de câmara. Primeiro em Idanha-a-Nova (14 anos) e depois em Castelo Branco (16 anos). Considerado um dos autarcas modelo do país do Partido Socialista, foi vice-presidente da Associação Nacional de Municípios. Está também ligado às causas sociais sendo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Idanha-a-Nova e membro do secretariado da União das Misericórdias portuguesas.

Fez obra; imensos investimentos públicos no valor de milhões. Destaca-se a piscina de água salgada em Castelo Branco. Para gerir este empreendimento foi criada uma empresa (ALBIGEC), à qual o município de Castelo Branco paga, a título de compensações por perdas de exploração 258 mil 505 euros e 76 cêntimos, divididas em quatro prestações trimestrais no valor de 64.226,44 euros.

Sabe-se agora que as declarações de rendimentos e património apresentadas por Joaquim Morão ao Tribunal Constitucional (TC) entre 1998 e 2010, omitem os numerosos cargos que o ex-autarca sempre desempenhou fora das câmaras de Idanha-a-Nova e Castelo Branco e que são de declaração obrigatória.

O património acumulado pelo antigo bancário nascido em 1945, que foi autarca durante mais de trinta anos, e pela mulher, médica aposentada, traduzia-se em 2010, em imóveis, planos de poupança reforma no valor de cerca de 48 mil euros e 2500 acções da Portucel.

A última declaração por ele apresentada corresponde ao início do seu último mandato na Câmara de Castelo Branco, mas a obrigação de fazer uma nova declaração no termo do mandato, em 2013, não foi cumprida.

De acordo com aquela última prestação de contas ao TC, Morão não possuía então qualquer automóvel e os seus rendimentos tiveram origem apenas em trabalho dependente e em pensões.

Os primeiros (supõe-se que em conjunto com a mulher) somaram 175.348 euros em 2009 e os segundos ficaram-se pelos 16.466 euros. Este último valor, relativo às pensões recebidas, contrasta com os 45.427 euros que declarou em 2004, ano em que os rendimentos do trabalho dependente foram de 163.608 euros.

Também, recentemente caiem fortes suspeitas de que o antigo presidente das Câmaras Municipais de Castelo Branco e Idanha-a-Nova, Joaquim Morão, terá sido beneficiado pela autarquia de Lisboa com a celebração de contratos de consultoria.

O socialista foi consultor na autarquia da capital do país, com a qual celebrou dois contratos no valor de 96 mil euros.

Para a contratação, a Câmara de Lisboa, liderada por Fernando Medina, simulou uma consulta ao mercado, “recorrendo a duas empresas de um amigo de Joaquim Morão”, António Realinho que na altura, estava a ser pronunciado e julgado por burla e falsificação e pelo qual viria a ser condenado a quatro anos e meio de prisão efectiva, estando a condenação ainda pendente no tribunal Constitucional.

As duas empresas de António Realinho (AJNR e Remir) nunca responderam aos convites e os dois contratos foram celebrados com a empresa criada um mês antes, a JLD, Consultadoria Unipessoal, Lda, de Joaquim Morão, nos anos 2015 e 2016.

António Realinho é diretor executivo da Associação de Desenvolvimento da Raia Centro Sul, em Castelo Branco, da qual Joaquim Morão é presidente.

E o circo continua…

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