SOS Racismo pede processo disciplinar à PSP

Publicado por Vítor Santos em 17 de Agosto de 2020 | 12:43

SOS Racismo pede processo disciplinar à PSP depois de uma publicação no Facebook, onde se ironiza o pedido de proteção por parte de Joacine e Mumadou

A Associação SOS racismo pede que a Polícia de Segurança Pública (PSP) seja alvo de um processo disciplinar, na sequência de uma publicação de uma página chamada «Corpo de Intervenção da PSP», onde se ironiza o pedido de proteção policial por parte de Joacine Katar Moreira e Mumadou Ba, avança a ‘RTP’.

Na publicação, que entretanto já foi eliminada, podia ler-se: «Joacine e Mumadou, duas pessoas que nutrem um ódio enorme pelos polícias, agora pedem proteção das mesmas? Então os Polícias agora já não são racistas e nem violentos? Então agora a polícia já não é uma “bosta”? Polícia agora já não é quem abusa da força policial? Pois é, afinal quando o medo aperta, toda a arrogância desaparece».

A SOS Racismo considera que estes comentários são «muito graves» e merecem que o autor da publicação, caso se trate de um agente da PSP, seja alvo de um processo disciplinar. «Se não for um elemento da PSP, deverá ser apresentada queixa contra terceiros».

«As forças de segurança, perante todo o tipo de ameaças, têm o dever de proteger todas/os as/os cidadãs/ãos e têm de saber lidar com as críticas da sociedade civil e as suas organizações», refere a associação em comunicado citado pela ‘RTP’.

«Os recentes fenómenos de ameaças por parte de movimentos e grupos de extrema-direita, fascistas e neo-nazis são demasiado graves e preocupantes para que se questione a proteção às e aos visadas/os. Num Estado de direito democrático a segurança e a integridade das pessoas está acima de qualquer discussão política ou opinião distorcida», acrescenta a  SOS Racismo.

Depois de a publicação ter sido eliminada o nome da página foi também alterado para «Página de apoio ao Corpo de Intervenção da PSP», para que «fique bem claro e não haja qualquer dúvida que esta página é apenas uma forma de prestar tributo e homenagear o Corpo de Intervenção da PSP».

A página publicou um outro texto a esclarecer o sucedido: «Esta página nunca esteve e nunca estará ligada a nenhum partido político, nem à esquerda, nem à direita, nem ao centro, e muito menos ao CHEGA ou a outros similares».

«A partir de agora, TODOS os comentários com cariz político e racista serão automaticamente eliminados assim que forem detetados», pode ler-se na publicação que acrescenta, em jeito de conclusão: «Esta página não é falsa e nem nunca teve intenção de representar ou fazer representar o Corpo de Intervenção, mas sim de o apoiar!».

Recorde-se que o Ministério Público instaurou na semana passada um inquérito-crime na sequência de várias deputadas e a associação SOS Racismo terem recebido ameaças via e-mail e depois da autoproclamada “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional” ter feito uma vigília junto à associação.

«Confirma-se a instauração de inquérito, no âmbito do qual serão investigados todos os factos que vieram a público nos últimos dias», respondeu a Procuradoria-Geral da República à agência Lusa.

Na passada quarta-feira o dirigente da SOS Racismo Mamadou Ba foi prestar declarações na Polícia Judiciária e confirmou ter recebido, juntamente com mais nove pessoas um correio eletrónico a estipular o prazo de 48 horas para abandonarem o país, senão corriam risco de vida.

As deputadas do Bloco de Esquerda (BE) Beatriz Dias e Mariana Mortágua disseram no mesmo dia que iam apresentar queixa ao MP na sequência de ameaças recebidas, confirmou à Lusa fonte do partido.

Além das duas deputadas do BE, foram também visados a deputada não inscrita (ex-Livre) Joacine Katar Moreira e Jonathan Costa, da Frente Unitária Anti-Fascista.

«Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e antirracistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português», lê-se no e-mail.

Na mensagem eletrónica refere-se que se o prazo for ultrapassado «medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português», e que «o mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista».

Com data de 11 de Agosto, a mensagem foi enviada a partir de um endereço criado num site de e-mails temporários e é assinado por “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, a mesma designação de um grupo que reclamou, na rede social Facebook, ter realizado, de cara tapada e tochas, uma «vigília em honra das forças de segurança» em frente às instalações da SOS Racismo, em Lisboa.

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