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Valdemar Alves é arguido no caso da reconstrução de casas

Publicado por Vítor Santos em 7 de Junho de 2019 | 20:39

Valdemar Alves é um dos 43 arguidos no inquérito às alegadas irregularidades na reconstrução de casas em Pedrógão Grande

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O inquérito que investiga alegadas irregularidades no apoio à reconstrução de casas que arderam no fogo de Pedrógão Grande, em 2017, tem 43 arguidos, disse hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR). O presidente da Câmara, Valdemar Alves, é um dos arguidos.

“Existe um inquérito onde se investigam irregularidades relacionadas com a reconstrução e reabilitação dos imóveis afetados pelos incêndios de Pedrógão Grande. Este inquérito tem, neste momento, 43 arguidos constituídos, encontra-se em investigação e está em segredo de justiça”, refere a PGR, em resposta escrita enviada hoje à agência Lusa.

Fonte judicial disse à Lusa que o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, é um dos arguidos neste inquérito.

O autarca é também arguido no processo que visa apurar responsabilidades nos incêndios naquela região que, em junho de 2017, mataram 66 pessoas e feriram mais de duzentas.

O Diário de Coimbra e o Diário de Leiria, nas suas edições de hoje, referiam já a condição de arguido de Valdemar Alves.

No processo em que se investigam irregularidades no apoio à reconstrução de casas, eram quatro os arguidos constituídos em setembro de 2018, número que subiu para dez, em novembro, sendo todos, à data, “requerentes de apoios”, no âmbito do inquérito que investiga “irregularidades relacionadas com a reconstrução e reabilitação dos imóveis afetados pelos incêndios de Pedrógão Grande”, explicou a PGR, naquela ocasião.

De acordo com a nota publicada, em setembro de 2018, pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra, estão em causa “factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, de participação económica em negócio, de burla qualificada e de falsificação de documento”.

Na origem do inquérito estiveram denúncias feitas por duas reportagens, uma da Visão e outra da TVI, que aludiam a situações eventualmente ilegais na atribuição de fundos para a reconstrução de habitações afetadas pelo incêndio.

As duas reportagens referiam que casas que não eram de primeira habitação foram contempladas com obras em detrimento de outras mais urgentes e também que casas que não arderam foram reconstruídas com fundos solidários.

À data, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Ana Abrunhosa, disse não ter dúvidas sobre os procedimentos formais, mas, ainda assim, enviou para ao Ministério Público 21 processos para análise.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, Valdemar Alves, também negou, nessa ocasião, estas acusações, mas enviou igualmente para análise um conjunto de processos.

O Conselho de Gestão do Fundo Revita revelou, em outubro de 2018, que, das 259 casas de primeira habitação selecionadas para reconstrução, sete processos vão ser alvo de “reavaliação por parte dos municípios”.

O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou depois a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas.


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